Um general do Exército americano inventou, em 1934, a tecnologia por trás da música de elevador

A trilha sonora que toca em elevadores e escritórios nasceu de um general do Exército americano. A história da Muzak, de 1934 até o fim da marca em 2013.
A trilha sonora que várias décadas depois ficaria conhecida como "música de elevador" não nasceu de uma ideia de marketing. George Owen Squier era major general do Exército dos Estados Unidos e pesquisava como transmitir vários sinais elétricos ao mesmo tempo pelo mesmo fio de telefone. Squier percebeu que essa tecnologia também servia pra distribuir música à distância, direto na casa das pessoas, por assinatura, e batizou a empresa de Muzak em 1934, juntando music com Kodak, uma das marcas mais conhecidas da época.
De assinatura residencial a ciência do humor
Os primeiros assinantes da Muzak, em Cleveland, pagavam um dólar e cinquenta por mês pra ouvir música transmitida em casa, mas a empresa não conseguiu competir com o rádio comercial gratuito e mudou o alvo pra hotéis, restaurantes, escritórios e elevadores, ponto estratégico pra amenizar o desconforto de ficar parado num espaço apertado ao lado de estranhos. Diferente do jingle de oferta que toca hoje no alto-falante de um supermercado, a Muzak nunca vendeu produto nenhum: vendia só a companhia de um fundo sonoro contínuo. Na década de 1950 a empresa foi além da simples trilha de fundo e criou a Stimulus Progression: playlists organizadas em blocos de 15 minutos, começando pelas faixas menos estimulantes e subindo gradualmente de intensidade, numa tentativa deliberada de neutralizar a queda natural de energia de quem trabalha ouvindo aquilo o dia inteiro.
O fim de um nome que virou sinônimo do próprio gênero
A Muzak pediu recuperação judicial em 2009, foi comprada em 2011 pela Mood Media por 345 milhões de dólares, e teve a marca definitivamente aposentada em 2013, quando a compradora decidiu unificar tudo sob o próprio nome. O termo "muzak" sobreviveu à empresa: virou sinônimo pejorativo de música ambiente genérica, mesmo quando quem projeta essas trilhas hoje leva tão a sério a curadoria quanto a Muzak levava a ciência do humor nos anos 1950.
Sequenciar faixas por intensidade, do jeito que a Stimulus Progression fazia nos anos 1950, é o tipo de decisão de mixagem que se pratica num curso prático de produção de áudio.
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