Leiloeiro é uma das poucas profissões brasileiras em que hesitar numa sílaba pode custar um lance perdido

No leilão, a voz decide quem ganha o lance. Conheça a profissão de leiloeiro, regulamentada no Brasil desde 1932, e a exigência vocal por trás do pregão ao vivo.
Um martelo bate na mesa no instante exato em que ninguém mais levanta a mão, e é a voz do leiloeiro, sozinha, que decide até esse instante durar: quem hesita um segundo perde o lance mais alto da sala pro concorrente mais rápido. É um dos poucos ofícios brasileiros em que a voz decide, ao vivo, quem sai ganhando um negócio.
Profissão exclusiva de quem tem matrícula
No Brasil, só pode atuar como leiloeiro quem tem matrícula na Junta Comercial do estado, concedida sob regras do Decreto 21.981, de 1932, ainda em vigor: mínimo de 25 anos, nacionalidade brasileira, idoneidade comprovada e pelo menos cinco anos de domicílio na unidade da federação onde vai trabalhar. A venda em hasta pública ou pregão público é atribuição pessoal e exclusiva de quem tem essa matrícula, que só pode delegar a função em caso de doença ou impedimento ocasional.
Mais de dois mil anos de história, chegada tardia ao Brasil
A prática de vender por leilão é registrada há mais de dois mil anos, mas no Brasil ela só ganhou força com a chegada da família real portuguesa, em 1809. Hoje o leiloeiro concilia a hasta pública tradicional com leilões judiciais e comerciais on-line, mas conduzir uma sessão de lances ao vivo, aguentando o ritmo enquanto os valores mudam a cada instante, ainda exige o mesmo fôlego vocal de um leiloeiro de 1932.
Manter dicção limpa numa fala rápida e sustentada é técnica vocal treinada, do tipo que também entra na grade de um curso de locução ágil e de resposta rápida.
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