Zuenir Ventura, mestre da reportagem e da escuta

O Brasil se despede de Zuenir Ventura, um dos maiores jornalistas e escritores do país. Uma homenagem ao homem que ensinou gerações a contar histórias com verdade, humor e humanidade.
O Rio se despediu nesta quarta feira de Zuenir Ventura. Jornalista, escritor, professor e imortal da Academia Brasileira de Letras, ele morreu na terça, aos 95 anos, e foi sepultado no mausoléu da ABL, no Cemitério São João Batista. Vai embora um dos maiores comunicadores que este país já teve.
Mineiro de Além Paraíba, de origem humilde, Zuenir trabalhou como aprendiz de pintor, balconista e professor primário antes de chegar ao jornalismo. Entrou quase por acaso, no arquivo de um jornal, e um dia se ofereceu para escrever um texto que ninguém queria escrever. Nunca mais saiu da redação. Passou por Correio da Manhã, O Cruzeiro, Visão, Veja, IstoÉ, Jornal do Brasil e O Globo, e se tornou uma das vozes mais respeitadas da imprensa brasileira.
Seus livros viraram patrimônio. "1968: o ano que não terminou" contou a história de uma geração inteira e teve quase cinquenta edições. "Cidade partida", vencedor do Prêmio Jabuti de Reportagem, mostrou um Rio dividido pela violência, dando voz a quem quase nunca era ouvido. Com a equipe do Jornal do Brasil, conquistou o Prêmio Esso pela cobertura do assassinato de Chico Mendes. Foi reconhecido pela ONU como um dos jornalistas que mais contribuíram para a defesa dos direitos humanos no Brasil.
Mas talvez o maior talento de Zuenir estivesse naquilo que não aparece no papel: a escuta. Ele sabia que toda boa comunicação começa muito antes do microfone, da câmera ou da caneta. Começa na curiosidade, na paciência e no respeito por quem está do outro lado. Falava de temas duros, como ditadura, desigualdade e violência, sem nunca perder a delicadeza e o humor refinado que todos que conviveram com ele fazem questão de lembrar.
Foi também professor, na UFRJ e na Esdi, e deixou discípulos por todo o país. Não por acaso ganhou o apelido carinhoso de Mestre Zu, que virou título de documentário sobre sua vida.
Aqui na Escola de Rádio, TV e Web, formamos comunicadores há mais de trinta anos, e Zuenir é exemplo de tudo o que desejamos para nossos alunos: credibilidade, sensibilidade e compromisso com a verdade. Quem conta bem uma história, primeiro aprende a ouvir. Ele nos ensinou isso a vida inteira.
Obrigado, Mestre Zu. Sua obra seguirá viva em cada história bem contada.
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