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Por que uma pausa do VAR é mais difícil de narrar no rádio do que na televisão?

Por Arthur Jobim2 min de leitura
Dupla de apresentadores em estúdio de rádio moderno, usando fones de ouvido diante de um microfone profissional, com mesa de som e monitores ao fundo em ambiente iluminado de azul.

Sem imagem do replay, o narrador de rádio precisa descrever a pausa do VAR sem saber o desfecho. A história da tecnologia, os segundos que ela consome de verdade, e a discórdia entre quem sente falta da emoção e os números que defendem o recurso.

O silêncio mais estranho do futebol acontece quando ninguém sabe se o gol vale. Na televisão, quem assiste já viu o replay e tem uma ideia do que vai acontecer. No rádio, o narrador segura a tensão sozinho: descreve o gesto do árbitro fazendo o sinal de retângulo com as mãos, e espera o apito final da revisão sem ter visto nada do lance.

Uma tecnologia recente, mas já disseminada

O VAR estreou numa partida de terceira divisão nos Estados Unidos, em agosto de 2016, com um auxiliar segurando um monitor à beira do campo. Só chegaria a uma Copa do Mundo dois anos depois, em 2018, e ao Campeonato Brasileiro em 2019, na primeira rodada daquele ano, entre São Paulo e Botafogo.

38 a 110 segundos: a pausa que a FIFA não consegue padronizar

A FIFA recomenda 60 a 90 segundos por consulta. Na Copa de 2018, a média foi 38; no Brasileirão de 2024, 47; e temporadas anteriores tiveram picos de 110, quase 20 segundos acima do teto.

Rizek, Rooney e os números que discordam deles

André Rizek escreveu, em 2019, na esteira de uma eliminação do Manchester City, que sentia falta de simplesmente poder gritar gol. O ex-jogador Wayne Rooney afirmou que o futebol é melhor sem o VAR, porque a tecnologia tira a emoção do lance. Os números, porém, favorecem o VAR: a precisão das decisões atingiu 99,3% na Copa de 2018, contra uma estimativa de 95% sem ele, segundo a FIFA. Na Premier League, esse índice saltou de 82% para 96% depois da adoção do recurso, na temporada 2023 e 2024.

Segurar essa pausa no ar sem perder o fio é treino que dá pra fazer de verdade: o curso de Narração Esportiva nos Estúdios Rádio Globo RJ da Escola de Rádio coloca o aluno pra narrar ao vivo nesse cenário.

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