O time que um narrador apaixonado de futebol só confessou torcer décadas depois

Silvio Luiz narrou futebol por setenta anos sem nunca revelar, no ar, pra qual time torcia. Os bordões que inventava na hora, a carreira que passou por quase toda emissora do país, e o segredo que só veio à tona depois que ele morreu.
Um narrador de futebol brasileiro passou setenta anos no ar sem nunca revelar pra qual time torcia. Silvio Luiz gritava, discutia cada lance, vibrava ou se desesperava a cada jogo, mas sempre que perguntavam qual era o seu time, ele desviava.
Os bordões que ele inventava sem nunca se entregar
Ele tinha um jeito de narrar cheio de expressões inventadas na hora: olho no lance, antes de um chute a gol; no pau, pra uma bola que bate na trave; pelas barbas do profeta e pelo amor dos meus filhinhos, pra um gol perdido; está valendo, no início da partida. O público repetia os bordões junto com ele, sem imaginar que, debaixo da empolgação, ele escondia o único dado que nunca soltava.
Um segredo revelado só no fim
Silvio Luiz entrou na TV em 1952, ainda adolescente, como um dos primeiros repórteres de campo do esporte no Brasil, e passou por emissoras como Record, Bandeirantes, SBT e SporTV. Morreu em 16 de maio de 2024, aos 89 anos, menos de um mês depois de passar mal ao vivo enquanto narrava a final do Campeonato Paulista pela Record. Só depois é que se revelou torcedor de São Paulo e Botafogo, escolha que carregou a vida toda sem soltar uma palavra.
Quem se emociona ouvindo um bordão como olho no lance e sonha narrar um jogo com essa intensidade pode dar o primeiro passo no curso de Narração Esportiva nos Estúdios Rádio Globo RJ da Escola de Rádio.
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