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As mulheres que estão furando a bolha da narração esportiva

Por Arthur Jobim2 min de leitura
Mulher com fones de ouvido falando ao microfone profissional em estúdio de rádio, lendo um roteiro durante a narração.

Por quase um século, o gol foi gritado só por vozes masculinas. Renata Silveira, Natália Lara e outras viraram esse jogo, enfrentando machismo e provando que narrar bem não tem gênero. A história de quem abriu a porta.

Por quase um século, o gol no Brasil foi gritado sempre pela mesma voz: grave, masculina, do tipo que a gente cresceu achando que era a única possível atrás de um microfone de estádio. Até que esse retrato começou a mudar, e hoje, cada vez mais, é uma voz feminina que anuncia que a bola entrou.

Os marcos que quebraram a barreira

A virada tem nomes e datas, em ordem. Renata Silveira já havia narrado partidas na Copa de 2014, no Brasil. Em 2018, ao lado de Isabelly Morais e Manuela Avena, formou a primeira equipe 100% feminina a narrar uma Copa no país. Em dezembro de 2020 foi contratada pelo Grupo Globo, onde nenhuma mulher tinha ocupado a cadeira de narradora antes, e, em 2022, narrou um jogo de Copa do Mundo na TV aberta brasileira, algo inédito. Natália Lara, por sua vez, abriu outra porta: foi a primeira a narrar o Campeonato Paulista masculino.

O preço de ser a primeira

Abrir essa porta tem custo. As narradoras relatam um cenário de machismo e de ataques nas redes sociais a cada transmissão, a voz feminina ainda é "testada" por parte do público de um jeito que a masculina nunca foi. Cada erro vira manchete; cada acerto, surpresa. Ocupar esse espaço exige, além de talento, uma blindagem emocional que os colegas homens raramente precisaram desenvolver.

O que conta no microfone é o mesmo

E aqui está o ponto que desmonta o preconceito: narrar bem não tem gênero. O que sustenta uma transmissão é o de sempre, voz preparada, repertório sobre o jogo e os times, ritmo, emoção na dose certa e o domínio do improviso ao vivo. Isso se constrói com técnica e treino, igual para qualquer pessoa. As narradoras não pediram desconto; entregaram o ofício no mesmo nível e provaram que a cadeira sempre coube em mais gente.

Esse preparo, técnica, não gênero, é exatamente o que se ensina no curso de Narração Esportiva da Escola de Rádio, nos estúdios da Rádio Globo no Rio. Quer entrar nesse jogo? Fale com a nossa secretaria no WhatsApp. O microfone do esporte está, enfim, abrindo espaço para todas as vozes.

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