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Segurar o botão do semáforo por três segundos ativa um som que só quem precisa consegue perceber

Por Arthur Jobim2 min de leitura
Close de um botão de travessia de pedestres acessível, com placa amarela mostrando ícone de pessoa atravessando e seta indicando o sentido, instalado em poste na rua

O semáforo sonoro pra pessoas com deficiência visual é regulado desde 2017 pela Resolução CONTRAN 704, com bipe que acelera perto do fechamento e até mensagem verbal gravada em situações complexas. São Paulo instalou 165 botoeiras em Vila Mariana, mas o padrão ainda é aplicado de forma desigual pelo país.

Segurar o botão do semáforo por três segundos, em vez do toque rápido de sempre, muda o que a pessoa ao lado ouve. Esse gesto ativa o modo sonoro, um sinal que orienta quem tem deficiência visual a atravessar com segurança, e que só quem precisa dele costuma notar. O botão comum, de toque rápido, segue funcionando normal pra quem não precisa do som.

A obrigatoriedade de sinalização sonora em travessias de grande circulação já existia desde a Lei 10.098, de 2000, reforçada depois pela Lei Brasileira de Inclusão, de 2015. Só em 2017 o país ganhou um padrão único: a Resolução CONTRAN nº 704, publicada em outubro daquele ano, obrigatória a partir de 1º de janeiro de 2020. Antes dela, cada cidade brasileira tinha um som próprio pra essa função, o que confundia quem precisava atravessar rua em municípios diferentes.

Um bipe que acelera, e às vezes uma frase inteira

A norma exige que o som soe pelo menos 10 decibéis acima do ruído ambiente do cruzamento, senão vira inútil no meio do trânsito. Quando o tempo de travessia está terminando, o ritmo do bipe acelera, um aviso de que o sinal vai fechar. Em situações mais complexas, como travessia em duas etapas, ciclofaixa ou faixa exclusiva de ônibus, a resolução prevê até mensagem verbal gravada, com frases padronizadas como "travessia solicitada, aguarde". Existe também indicação em braille no próprio equipamento.

São Paulo instalou, até dezembro de 2023, 165 botoeiras sonoras em 35 cruzamentos do bairro Vila Mariana, um piloto de expansão do sistema, mas uma reportagem apontou inconsistência de volume entre os equipamentos, alguns quase inaudíveis. Outras cidades vêm expandindo o sistema aos poucos, como Boa Vista, em Roraima, que instalou seu primeiro semáforo sonoro em 2023, e Itapevi, em São Paulo, em 2025.

Comunicação clara pra quem depende só do ouvido é parte do que se treina em locução e produção de áudio, seja pra rádio, pra publicidade ou pra acessibilidade.

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