Legendar um telejornal ao vivo significa repetir cada palavra em voz alta, incluindo a pontuação

Respeaking é a técnica em que um profissional repete ao vivo, com pontuação incluída, tudo o que é dito num telejornal pra alimentar o software que gera a legenda em tempo real. Entenda como funciona.
Enquanto o apresentador fala ao vivo, um segundo profissional, num estúdio separado, repete cada palavra da fala original pra um microfone, incluindo vírgula, ponto e troca de quem está falando, ditados em voz alta junto com o texto. Essa repetição alimenta um programa de reconhecimento de voz treinado especificamente na fala daquele profissional, que transforma tudo em legenda na tela em poucos segundos. A técnica se chama respeaking, ou legendagem ao vivo por voz.
Não é só repetir
O respeaker precisa falar comandos de formatação junto com o texto, os chamados macros: uma forma de dizer "vírgula", "troca de locutor" ou "legenda em itálico" sem que essas palavras apareçam escritas na tela. É outro ofício de voz inteiro embutido dentro dessa tarefa, com pontuação, ritmo e clareza decididos em tempo real.
Uma prática que já tem duas décadas no Brasil
A Rede Globo começou a usar legenda oculta em tempo real em telejornais nacionais, no Fantástico e no Programa do Jô, já no ano 2000, bem antes de virar exigência legal pra toda a TV aberta, em 2006, com prazo escalonado até 2017 pra cobertura completa da grade.
O padrão que separa quem faz bem de quem não faz
A norma da ABNT no Brasil tolera até 2% de erro e até 4 segundos de atraso entre a fala e a legenda aparecer na tela; no Reino Unido, o atraso médio medido em pesquisas chega a 5,4 segundos, mesmo com recomendação oficial de 3. É a margem que separa um respeaker bem treinado de um trabalho malfeito: questão de treino, o mesmo tipo de resistência vocal trabalhada nas aulas de Locução Profissionalizante da Escola de Rádio.
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