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Uma rádio AM que alcança trinta quilômetros de dia pode ser captada a mais de mil à noite, sem mudar nada no transmissor

Por Arthur Jobim2 min de leitura
Torres de transmissão de rádio AM estaiadas sob um céu estrelado com a Via Láctea visível, à noite

De dia, o alcance de uma rádio AM é curto. À noite, a mesma emissora pode ser captada a milhares de quilômetros. A física por trás disso tem nome: onda celeste.

Uma rádio AM que alcança trinta quilômetros de dia pode ser captada a mais de mil quilômetros de distância à noite, sem mudar nada no transmissor. A diferença está na atmosfera, não no equipamento.

A camada que muda de comportamento com o sol

A ionosfera se divide em camadas que reagem à luz solar. De dia, a camada mais baixa, a D, fica ionizada pelo sol e absorve boa parte do sinal AM que tenta atravessá-la, limitando o alcance à onda terrestre, que segue rente ao chão. À noite, sem sol, essa camada praticamente desaparece, e o sinal passa livre até camadas mais altas, a E e a F, densas o bastante pra refletir a onda de volta à Terra. Esse fenômeno tem nome: onda celeste.

O efeito prático: sintonizar emissora de outro estado

É por causa da onda celeste que, à noite, dá pra sintonizar emissoras de AM de estados distantes ou até de países vizinhos girando o dial de um rádio comum, algo impossível durante o dia na mesma frequência. Quem cresceu virando o dial à noite atrás do jogo do próprio time numa AM de fora do estado já viveu esse fenômeno na prática, sem saber o nome dele. É esse tipo de emissora, ao vivo e histórica, que recebe quem se forma no curso de Narração Esportiva nos Estúdios da Rádio Globo RJ.

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