O nome da música que aparece no rádio do carro leva segundos pra carregar, e tem um motivo técnico

O RDS transmite o nome da emissora e da música a só 1.187,5 bits por segundo, quase mil vezes mais devagar que um 4G comum. Como essa tecnologia dos anos 1980 funciona, o que ela consegue mostrar, e por que às vezes corta.
O visor do rádio do carro trava ou corta o nome da música porque o RDS, sigla de Radio Data System, transmite esses dados a meros 1.187,5 bits por segundo, quase mil vezes mais devagar que uma conexão 4G comum.
Uma subportadora escondida dentro do sinal FM
A escolha do 57 kHz não foi arbitrária: é a terceira harmônica do tom piloto do estéreo, o que evita que o RDS interfira no áudio. O RDS foi desenvolvido entre 1975 e 1984 pela EBU, a União Europeia de Radiodifusão, e formalizado como norma internacional pela IEC em 1999. Os dados chegam organizados em blocos pequenos, com checagem de erro própria dessa estrutura, e é essa arquitetura enxuta que limita a velocidade.
O que cabe nesses poucos bits por segundo
Com essa taxa baixa, o RDS transmite: o nome da emissora, em até 8 caracteres, um código de tipo de programação, um texto livre de até 64 caracteres que costuma trazer nome da faixa e do artista, e sinalizadores que avisam o rádio quando entra um boletim de trânsito. O problema é que nome e artista juntos passam de 64 caracteres com frequência, daí os cortes.
No Brasil, a adoção comercial começou nos anos 2000, concentrada em São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul, segundo a ABERT, puxada por rádios automotivos de fabricantes como a Positron.
Esses bastidores técnicos do rádio, da subportadora escondida no FM aos protocolos que fazem o painel do carro exibir cada informação, são parte do que se aprende na prática no curso de Produção Profissionalizante da Escola de Rádio.
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