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Voltar pro blogComunicação, Oratoria e Voz

Tem uma voz falando no ouvido do apresentador o tempo todo

Por Arthur Jobim2 min de leitura
Profissional de TV com fone de comunicação (ponto eletrônico) na cabeça, de costas, diante de uma câmera com luz vermelha de gravação acesa durante uma transmissão ao vivo em estúdio

Enquanto fala com você, o apresentador do telejornal ouve a equipe falando no ouvido dele. Como funciona o ponto eletrônico e por que falar e ouvir ao mesmo tempo é uma das habilidades mais difíceis da TV.

Enquanto o apresentador do telejornal fala com você, calmo e firme, há outra pessoa falando com ele, direto no fone do ouvido. É o diretor avisando que vai entrar uma reportagem, o editor passando um número que mudou de última hora, o produtor mandando encerrar em dez segundos. Tudo isso enquanto ele termina a frase sem gaguejar. Esse fone minúsculo é o ponto eletrônico, e usá-lo bem é uma das habilidades mais subestimadas da televisão ao vivo.

O que é o ponto

É um fone de ouvido discreto, quase invisível para quem assiste, por onde a equipe de bastidores conversa com quem está no ar. Por ele chegam as correções, os tempos, as mudanças de pauta, as ordens de quem comanda o programa da cabine de controle. Funciona como um cordão entre os bastidores e o estúdio: a plateia só vê o apresentador, mas ele nunca está sozinho ali na frente.

Falar e ouvir ao mesmo tempo trava qualquer iniciante

O cérebro humano não foi projetado para processar duas falas simultâneas. Quem nunca usou um ponto costuma travar no primeiro teste: repete em voz alta o que ouviu, perde o fio do que estava dizendo, gagueja. A habilidade que se desenvolve com o tempo é registrar a informação que chega pelo ponto sem interromper o próprio raciocínio, manter a fala fluindo enquanto a cabeça processa outra coisa. Apresentadores experientes fazem isso parecer fácil; não é. É das coisas mais difíceis do ofício.

É pelo ponto que o programa se salva

Quando algo dá errado no ar (e sempre dá), é dali que vem a saída. O convidado que não chegou, a reportagem que falhou, o tempo que estourou: tudo isso é contornado com o apresentador improvisando enquanto recebe a orientação da equipe, sem que ninguém em casa desconfie. E essa divisão de atenção não se aprende em livro nenhum: só se constrói no ar, com o fone ligado, errando e corrigindo até virar automático. É por isso que um bom curso de apresentação coloca o aluno em situação real de estúdio, com equipe e imprevisto, em vez de só explicar como tudo funciona.

No fim, comandar um programa ao vivo é manter a cabeça no lugar com tudo desabando em volta. Ninguém nasce sabendo equilibrar a própria fala com uma voz constante no ouvido, aprende com o fone ligado, no ar, na primeira vez em que não trava.

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