Pular para o conteúdo
ER+ Escola de Rádio TV & Web
Voltar pro blogComunicação, Oratoria e Voz

Aristóteles nunca falou em três atos, mas todo mundo cita ele quando ensina isso

Por Arthur Jobim2 min de leitura
Relevo de pedra antigo com três máscaras gregas de teatro esculpidas lado a lado, em sítio arqueológico ao ar livre

A estrutura de três atos que qualquer curso de apresentação ensina não vem de Aristóteles: veio de um gramático romano e foi só formalizada em 1979. A origem real, a adaptação pra discursos de negócio, e por que nem todo roteirista aceita a fórmula.

Aristóteles, na Poética, escreveu que uma tragédia completa precisa ter começo, meio e fim. Ele nunca usou a expressão três atos, nem descreveu atos no sentido que o teatro ou o cinema usam. A divisão formal em atos só apareceu séculos depois, no trabalho do gramático romano Élio Donato, e o modelo rígido que qualquer curso de roteiro ensina, com introdução, confronto e resolução em proporções quase fixas, foi popularizado apenas em 1979, pelo livro Screenplay, de Syd Field.

De roteiro de cinema pra discurso de negócios

A estrutura migrou do cinema pra apresentações de negócio. Barbara Minto, primeira mulher com MBA contratada pela McKinsey, criou nos anos 1970 o método SCQA, situação, complicação, pergunta, resposta, e virou padrão em consultorias como McKinsey e Bain. Já Nancy Duarte, no livro Resonate, propõe alternar o que é com o que poderia ser em picos repetidos até uma virada final, usando o discurso Eu tenho um sonho, de Martin Luther King, como exemplo dessa construção.

Por que uma história prende mais atenção que uma lista de tópicos

Pesquisadores da Universidade de Princeton, num estudo publicado em 2010 na revista PNAS, usaram ressonância magnética pra mostrar que a atividade cerebral de quem conta uma história bem estruturada se sincroniza com a de quem escuta. Um estudo anterior, de 2000, já tinha encontrado relação entre o quanto uma pessoa se sente transportada por uma narrativa e o quanto ela lembra e muda de opinião depois de ouvi-la.

Nem todo mundo aceita a fórmula

A apresentação do primeiro iPhone, em 2007, é frequentemente analisada como um exemplo de três atos aplicado a um discurso corporativo, inspirada no processo de storyboard usado pela Pixar. Russell T. Davies e John Yorke não compram a fórmula: o roteirista britânico já criticou reduzir uma história a ato um, ato dois, ato três, e Yorke, no livro Into the Woods, argumenta que três atos simplifica demais o meio de qualquer narrativa e defende pensar em cinco.

Quem quiser levar essa lógica de estrutura pra prática, não só pra teoria, encontra isso no curso Falar em Público sem Medo da Escola de Rádio, pensado pra quem precisa organizar e apresentar uma ideia do início ao fim.

Compartilhar

Receba novas postagens no seu email

Posts relacionados