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O que a eliminação do Brasil na Copa ensina sobre comunicação de crise

3 min de leitura
Microfones sobre mesa de entrevista coletiva, ilustrando comunicação de crise institucional

O Brasil caiu para a Noruega na Copa 2026 e, além do futebol, deixou um caso ao vivo de comunicação de crise. Veja os três movimentos da CBF e o deslize que a pressão expôs.

Neste domingo (5), o Brasil foi eliminado da Copa do Mundo de 2026 pela Noruega, nas oitavas de final — a queda mais precoce da seleção desde 1990. Enquanto o país discute escalação e futebol, existe outra partida acontecendo em paralelo, e essa é da nossa área: a da comunicação. A forma como a CBF administrou a mensagem nas primeiras horas após a derrota é um caso de gestão de crise acontecendo ao vivo, e vale observar com olhar técnico.

O primeiro movimento foi reenquadrar a derrota. Em vez de deixar a palavra "fracasso" ocupar o centro, o técnico Carlo Ancelotti reconheceu a tristeza do grupo e, no mesmo fôlego, tratou o resultado como o começo de um novo ciclo, e não como um ponto final. Isso é controle de narrativa: quando a instituição não oferece um enquadramento, a imprensa oferece o dela — e dificilmente será generoso. Validar a emoção primeiro e só depois apontar para a frente é o que evita que a mensagem soe fria ou defensiva.

O segundo movimento foi falar com uma só voz. Coube ao coordenador Rodrigo Caetano ser o porta-voz institucional, e ele sustentou de forma consistente as mesmas palavras-chave: calma, normalidade, continuidade. Em crise, cada voz desalinhada vira uma manchete nova. Concentrar o discurso em um porta-voz preparado, que repete o mesmo vocabulário, reduz o número de brechas.

O terceiro movimento é o mais interessante para quem estuda comunicação: o escudo já estava montado antes da crise. O contrato do treinador havia sido renovado ainda antes da Copa. Isso permitiu que a permanência fosse comunicada como convicção, e não como reação ao pânico. É a prova de um princípio que repetimos em sala: as melhores mensagens de crise são preparadas quando ainda não há crise nenhuma.

Mas nenhum caso real é perfeito, e houve um deslize revelador. Na saída de campo, o técnico principal não deu entrevista — quem falou foi seu auxiliar — e a própria transmissão cutucou a ausência. É um detalhe pequeno, mas mostra a distância que existe entre o discurso alinhado na coletiva e a execução no calor do momento. A crise não expõe só o que você diz; expõe também os silêncios e as ausências.

Fica o resumo, que serve para qualquer marca, empresa ou profissional: reconheça a emoção antes de reposicionar, escolha um porta-voz e um vocabulário, prepare as mensagens difíceis antes de precisar delas e lembre-se de que quem não aparece também comunica. Futebol à parte, é exatamente esse tipo de leitura que separa quem apenas fala de quem comunica com intenção.

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