Só duas pessoas passaram no exame que tornou Odette Cecy Chaves a primeira radioamadora do Brasil

Odette Cecy Chaves aprendeu telegrafia num curso organizado pelo próprio pai, em Belém do Pará, e virou a primeira radioamadora reconhecida do Brasil. A história dela e o que ainda separa um radioamador de quem só tem um walkie-talkie.
Só duas pessoas passaram no exame de telegrafia de um curso organizado por Américo Lins de Vasconcellos pros próprios parentes, em Belém do Pará: o sobrinho Alberto Mota Filho e a filha dele, Odette Cecy Chaves, que se tornou a primeira radioamadora reconhecida do Brasil.
Uma estação inteira construída em casa
Américo tinha se entusiasmado com o radioamadorismo depois de ler revistas norte-americanas sobre o assunto e construiu a própria estação. Odette passou a operar sob o indicativo BZ7AB, fazendo contato por telegrafia com estações do Rio de Janeiro, São Paulo e Santos. Radioamador, então, significava só código Morse: a comunicação por voz ainda demoraria a chegar a esse serviço.
O que ainda separa um radioamador de quem só tem um walkie-talkie
Essa distinção sobrevive até hoje: quase ninguém mais opera em Morse, mas a prova técnica continua separando radioamador de quem só liga o rádio e fala. Virar radioamador exige provas de conhecimento técnico e geral aplicadas pela Anatel, liberando acesso a várias faixas de frequência. Já a Faixa do Cidadão, o antigo PX, nunca exigiu exame, só cadastro, e ficou restrita à faixa de 27 MHz. Desde 2020, a Anatel nem emite mais licença nova para ela: quem quer operar hoje só consegue uma dispensa de autorização.
Radioamadores do mundo inteiro ainda se identificam usando o código Q, criado em 1909 pelo governo britânico pra comunicação marítima: QRZ pergunta quem está chamando, QSL confirma que a mensagem chegou. Quase um século depois de Odette operar o BZ7AB, entender o funcionamento técnico de uma estação de rádio virou um caminho formal, e é o que o curso de Produção Profissionalizante da Escola de Rádio ensina hoje.
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