Pular para o conteúdo
ER+ Escola de Rádio TV & Web
Voltar pro blogHistória do Radio

Só duas pessoas passaram no exame que tornou Odette Cecy Chaves a primeira radioamadora do Brasil

Por Arthur Jobim2 min de leitura
Estação de rádio vintage com equipamentos empilhados contra parede de madeira laqueada em tom terracota, cadeira de escritório retrô verde em primeiro plano

Odette Cecy Chaves aprendeu telegrafia num curso organizado pelo próprio pai, em Belém do Pará, e virou a primeira radioamadora reconhecida do Brasil. A história dela e o que ainda separa um radioamador de quem só tem um walkie-talkie.

Só duas pessoas passaram no exame de telegrafia de um curso organizado por Américo Lins de Vasconcellos pros próprios parentes, em Belém do Pará: o sobrinho Alberto Mota Filho e a filha dele, Odette Cecy Chaves, que se tornou a primeira radioamadora reconhecida do Brasil.

Uma estação inteira construída em casa

Américo tinha se entusiasmado com o radioamadorismo depois de ler revistas norte-americanas sobre o assunto e construiu a própria estação. Odette passou a operar sob o indicativo BZ7AB, fazendo contato por telegrafia com estações do Rio de Janeiro, São Paulo e Santos. Radioamador, então, significava só código Morse: a comunicação por voz ainda demoraria a chegar a esse serviço.

O que ainda separa um radioamador de quem só tem um walkie-talkie

Essa distinção sobrevive até hoje: quase ninguém mais opera em Morse, mas a prova técnica continua separando radioamador de quem só liga o rádio e fala. Virar radioamador exige provas de conhecimento técnico e geral aplicadas pela Anatel, liberando acesso a várias faixas de frequência. Já a Faixa do Cidadão, o antigo PX, nunca exigiu exame, só cadastro, e ficou restrita à faixa de 27 MHz. Desde 2020, a Anatel nem emite mais licença nova para ela: quem quer operar hoje só consegue uma dispensa de autorização.

Radioamadores do mundo inteiro ainda se identificam usando o código Q, criado em 1909 pelo governo britânico pra comunicação marítima: QRZ pergunta quem está chamando, QSL confirma que a mensagem chegou. Quase um século depois de Odette operar o BZ7AB, entender o funcionamento técnico de uma estação de rádio virou um caminho formal, e é o que o curso de Produção Profissionalizante da Escola de Rádio ensina hoje.

Compartilhar

Receba novas postagens no seu email

Posts relacionados