Nélio Bilate narrou ocorrência ao vivo por 46 anos e virou sinônimo de rádio policial no Rio

Nélio Bilate passou 46 anos na Patrulha da Cidade, da rádio Tupi, narrando ao vivo assaltos e perseguições pelas ruas do Rio. Conheça o radiojornalismo policial, gênero que existe desde os anos 1950 e ainda resiste em emissoras AM do país.
Por 46 anos, uma mesma voz narrou ao vivo assaltos, acidentes e perseguições pelas ruas do Rio de Janeiro, direto do rádio. Nélio Bilate foi o nome mais associado à Patrulha da Cidade, da rádio Tupi, e morreu recentemente aos 90 anos, deixando um gênero de rádio que existe desde os anos 1950 no Brasil e que poucos ouvintes conhecem por dentro.
Um gênero que nasceu com a rádio-patrulha nas ruas
O radiojornalismo policial é diferente da rádio-patrulha das viaturas, organizada pela primeira vez em Pernambuco, em 25 de agosto de 1951: uma é a polícia se comunicando por rádio; a outra é o rádio cobrindo, ao vivo, o que acontece nas ruas, às vezes ouvindo direto o rádio da polícia. Foi esse segundo tipo, o jornalístico, que Nélio Bilate representou na Patrulha da Cidade. Outro programa do gênero, o Itatiaia Patrulha, estreou em 5 de julho de 1975 pela rádio Itatiaia e segue no ar até hoje.
O que esse trabalho exige de quem narra
Não tem roteiro, não tem ensaio, e o fato acontece em tempo real: o locutor às vezes ainda está entendendo o que vê ou ouve pelo rádio-comunicador enquanto já está narrando. Pede a mesma habilidade de qualquer transmissão sem pauta fechada: organizar informação fragmentada, manter o tom sob controle mesmo diante de cenas tensas, e nunca comprometer uma investigação em andamento só para soar mais dramático na transmissão.
Setenta anos depois, o gênero segue vivo
O radiojornalismo policial ainda tem espaço garantido em emissoras AM de várias regiões do país. É um nicho que exige domínio de improviso e presença de voz que se constrói narrando ao vivo, sem roteiro, sob pressão, a mesma base do curso de Narração Esportiva da Escola de Rádio.
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