A Casas Bahia comprou a piada que o Mamonas Assassinas fez dela mesma

Em 1995, o Mamonas Assassinas zoou o crediário das Casas Bahia numa música. Em 2023, a própria rede usou o verso como jingle de Black Friday. A história de uma marca que preferiu assinar embaixo da piada em vez de brigar com ela.
Tem marca que contrata agência nova, jura nunca mais tocar uma música e finge que ninguém lembra da piada feita à sua custa. A Casas Bahia fez o oposto: comprou a piada. Numa campanha de Black Friday de 2023, criada pela agência Pullse, do Grupo Dreamers, a rede usou como jingle a mesma música que, quase três décadas antes, ridicularizou o hábito nacional de comprar fiado na loja. O verso vinha de Chopis Centis, do Mamonas Assassinas (1995): a minha felicidade é um crediário nas Casas Bahia.
1979: nasce o Baianinho
A citação dos Mamonas não foi a primeira vez que a Casas Bahia virou parte do humor popular brasileiro. Desde 1979, a rede usa o mascote Baianinho em suas peças publicitárias. No início dos anos 2000, o slogan Quer Pagar Quanto?, estrelado pelo ator Fabiano Augusto, ficou no ar por 18 anos seguidos, tempo suficiente pra uma geração inteira associar a frase à marca antes mesmo de entrar numa loja.
90 mil comerciais, uma voz só
Bob Floriano narrou mais de 90 mil comerciais ao longo da carreira, incluindo campanhas de varejo como as da Casas Bahia. Morreu de leucemia em 4 de agosto de 2025, aos 64 anos.
De piada a jingle oficial
Hoje a rede integra o Grupo Casas Bahia, formado pela fusão com o Ponto Frio em 2009 e rebatizado em setembro de 2023. Usar o verso dos Mamonas como campanha oficial foi decisão só da Pullse: em vez de brigar com um verso que zoava a empresa, a agência assinou embaixo dele.
Transformar uma piada em jingle oficial é decisão de quem sabe o peso que uma voz carrega numa campanha, assunto que o curso A Voz na Publicidade da Escola de Rádio explora na prática.
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