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Como um jingle de leite virou a febre nacional dos anos 90

Por Arthur Jobim2 min de leitura
Criança sorrindo vestida com uma fantasia de pelúcia de elefante, ao ar livre entre folhagens.

A campanha dos Mamíferos da Parmalat marcou os anos 90, mas o que realmente grudou na memória de uma geração não foi a imagem das crianças fantasiadas: foi o jingle.

Quem viveu os anos 90 provavelmente consegue cantar agora, de cabeça, a música de uma marca de leite. Bastam as primeiras notas e a letra volta inteira, com a fila de crianças vestidas de leão, elefante, gato e rinoceronte. A campanha dos Mamíferos da Parmalat virou uma das mais lembradas da publicidade brasileira, e o motivo de ela ter grudado não foi a imagem fofa: foi o som.

Uma melodia simples e três anos no ar

O jingle nasceu em 1996, criado na agência DM9DDB pelas mãos de Erh Ray e Nizan Guanaes. A fórmula era quase ingênua: uma melodia curta, fácil de repetir, com uma letra que apresentava bichos como se fossem amigos da criança. Em vez de explicar atributos do produto, a campanha entregava uma cantiga, e cantiga a gente não esquece. A peça ficou no ar por cerca de três anos, tempo suficiente para entrar na memória de uma geração inteira.

Quando o jingle saiu da TV e foi para a sala de casa

O efeito mais impressionante veio depois. Entre 1998 e 1999, a Parmalat lançou uma promoção em que o consumidor juntava vinte códigos de barras dos produtos da marca, somava oito reais e trocava por um bichinho de pelúcia da série, cada um abraçado a uma caixinha de leite. A procura foi tamanha que a produção planejada de 300 mil bonecos teve de saltar para 15 milhões de unidades. Uma musiquinha de trinta segundos tinha se transformado em objeto de desejo dentro das casas.

Por que o ouvido vende mais do que a gente imagina

O caso dos Mamíferos é uma aula sobre a força do áudio na comunicação. A imagem chama a atenção por um instante, mas é o som que fica rodando na cabeça depois que a tela apaga. Um bom jingle aproveita exatamente isso: melodia repetível, letra clara e uma voz que conduz tudo no tom certo. É um trabalho de roteiro, de música e, principalmente, de locução, porque a mesma frase cantada de dois jeitos diferentes pode soar memorável ou esquecível.

Construir essa relação com o ouvido é parte do ofício de quem trabalha com a voz, e é justamente isso que se aprende e se treina nos cursos da Escola de Rádio. Afinal, vinte anos depois, é o som que continua tocando.

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