Cego de nascença, um locutor narrou futebol no rádio por cinco anos ouvindo a descrição de um assistente no fone

Wesley Araújo, cego de nascença, narrou futebol no rádio por cinco anos no Paraná usando a descrição de um assistente pelo fone. A história dele e a de Allan Wylie, comentarista cego da G League nos EUA.
Wesley Araújo é cego de nascença por retinose pigmentar. Durante cinco anos, comentou futebol no programa Show do Esporte, de uma emissora do Paraná, usando um ponto eletrônico no ouvido, como o de um repórter de TV: um assistente ao lado do campo descrevia os lances direto pro fone dele ("abriu, soltou, tá na direita, contra-ataque"), e Wesley construía a narração em cima daquela descrição, em tempo real.
Também ouvir o jogo, não só a descrição
Em partidas de times amadores, sem estrutura de ponto eletrônico, ele preferia ficar perto do campo pra captar o som direto do jogo: a batida na bola, o grito da torcida, o apito do juiz. A narração dele misturava a descrição recebida pelo fone com o que o próprio ouvido captava da partida, técnica que foi ajustando ao longo dos anos no rádio.
Do Show do Esporte pra G League
Allan Wylie tem a mesma condição: é cego desde que nasceu, e hoje comenta as partidas do Delaware Blue Coats, time da G League, a liga de desenvolvimento da NBA nos Estados Unidos. Ele trabalha ao lado de um narrador que descreve a partida jogada a jogada, e complementa a transmissão com análise construída a partir de notas preparadas antes do jogo e do som da quadra. Começou ainda no colégio, narrando partidas menores, até chegar à liga profissional.
Uma trajetória que passou pela política
No Paraná, Wesley Araújo levou a mesma voz que narrava futebol pra outra disputa: foi eleito vereador de Marialva com a maior votação da cidade, setecentos e setenta votos. A carreira no rádio veio antes: foi ali que ele aprendeu a transformar a descrição de outra pessoa em narração própria, sílaba por sílaba, sem nunca ter visto um gramado, a base de qualquer narrador esportivo desde o primeiro dia no ar. É essa técnica que o curso de Narração Esportiva Rádio Globo da Escola de Rádio ensina.
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