Mais de 500 Grandes Prêmios de Fórmula 1 cobertos ao vivo ensinaram a Reginaldo Leme que a voz empolgada é a parte fácil de narrar corrida

Reginaldo Leme cobriu mais de 500 GPs de Fórmula 1 e formou, ao lado de Galvão Bueno, uma dupla narrador-comentarista de 39 anos. Ele encerrou as transmissões em novembro de 2025, aos 80 anos, provando que autoridade técnica em narração esportiva se constrói, não nasce pronta.
Reginaldo Leme cobriu mais de 500 Grandes Prêmios de Fórmula 1 ao vivo em mais de cinco décadas de carreira, testemunhando de perto os oito títulos mundiais conquistados por pilotos brasileiros. Começou como jornalista esportivo em 1968, cobriu o primeiro título brasileiro de F1 em 1972, com Emerson Fittipaldi, e foi contratado pela Globo em 1977, onde virou referência técnica das transmissões de corrida.
O modelo que consolidou sua carreira é o mesmo do futebol brasileiro: dupla narrador mais comentarista técnico. Ao lado de Galvão Bueno, cuja narração vibrante contrastava com a precisão analítica de Leme, formou parceria de 1982 a 2019, trinta e nove anos, celebrados num reencontro na Band em fevereiro de 2025. Leme sabia, no instante exato, por que um pit stop tinha dado errado ou por que um carro perdia grip na curva 4, leitura que nenhuma emoção na voz substitui.
Um paddock e uma tela de LED depois
Leme encerrou as transmissões de TV da categoria em 9 de novembro de 2025, depois do GP de São Paulo, aos 80 anos, recebendo credencial vitalícia das mãos de Stefano Domenicali, CEO da Liberty Media, dona da F1. A estrutura que ele ajudou a formar seguiu evoluindo: hoje, a equipe da Globo tem Everaldo Marques na narração e Luciano Burti mais Mariana Becker nos comentários, trabalhando num estúdio com tela de LED e réplica de carro em tamanho real pra explicar regulamento; a SportTV usa realidade aumentada mostrando dados de pneu e posição em tempo real.
Ele passou corrida após corrida do lado certo do box, vendo a informação de perto antes dos outros, foi assim que virou, duas vezes, o melhor comentarista esportivo do Brasil.
Construir essa autoridade técnica é processo, não dom: nos cursos de narração esportiva da Escola de Rádio, dentro dos estúdios da Rádio Globo, é isso que se treina: domínio de regra e vocabulário técnico unido à energia de quem narra ao vivo.
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