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Ele narrava futebol de bairro pelo celular sem imaginar que um vídeo viral o levaria à Copinha profissional

Por Arthur Jobim2 min de leitura
Jogadores disputam a bola durante uma partida de futebol de várzea em campo de terra, com casas e árvores ao fundo

Evandro Cardoso narrava futebol amador pelo celular em 2017. Viralizou, foi contratado pela Federação Paulista e depois pela CazéTV na Copinha. A várzea é a escola real de muitos narradores esportivos profissionais, do coletivo Narra Várzea às rádios do interior.

Em 2017, o humorista e cantor Evandro Cardoso começou a narrar, pelo celular, jogos de futebol amador perto de Santa Ernestina, cidade a trezentos quilômetros de São Paulo. Fazia isso sem estrutura nenhuma, ao lado do amigo Marivaldo como comentarista, mais por brincadeira do que por ambição profissional. As narrações começaram a viralizar nas redes em 2019.

Um diretor do time Bandeirante de Brodowski viu um dos vídeos e contratou Evandro, investindo nos primeiros equipamentos profissionais que ele teve. Dali, a Federação Paulista de Futebol chamou o trio pra narrar jogos das séries A3 e A2 do Campeonato Paulista. Em 2022, na Copinha, ele criou o bordão "tiro de 12", que viralizou e virou piada repetida em outras transmissões pelo país; em 2024, chamou atenção por reproduzir com a própria voz efeitos sonoros de rádio, sem microfone nem equipamento nenhum, e a CazéTV o contratou pra narrar partidas da Copinha daquele ano.

A caixa de som amarrada no poste é uma escola de verdade

Evandro não é exceção isolada. Em São Paulo existe o coletivo Narra Várzea, criado em Taboão da Serra por Alex Barcellos, reunindo sete integrantes (narradores, um DJ e um escritor) que narram jogos de bairro intercalando rima, poesia e efeitos sonoros tocados em vinil, direto no campo. O Museu do Futebol dedicou uma exposição, "Vozes da Várzea", à caixa de som que anima essas partidas em São Paulo.

No interior gaúcho, a narradora Irani Brum, da Rádio Santo Ângelo, atua há trinta anos e ainda complementa a renda com outro trabalho, mesmo depois de profissionalizada. Em São Borja (RS), estudantes de jornalismo operam câmera, narram e editam sozinhos, sem mais ninguém na equipe, transmitindo partidas do time local por um aplicativo gratuito de streaming.

Muito narrador que hoje trabalha em rádio ou TV profissional aprendeu a decorar escalação e sustentar ritmo de fala assim: sozinho, num campo de terra, sem ninguém pagando pra ouvir além de quem estava ali por perto.

Quem aprendeu a narrar sozinho, no campo de terra, também pode aprender com estrutura: o curso de Narração Esportiva da Escola de Rádio ensina técnica de dicção, ritmo e repertório pra quem já tem a paixão e quer profissionalizar a voz.

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