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Um "houveram" no ar apaga dez minutos de bom conteúdo

Por Arthur Jobim2 min de leitura
Microfone de estúdio ao lado de um livro aberto sendo lido sobre a mesa, simbolizando a leitura e o cuidado com o português correto na locução de rádio

No ar, um erro de português custa mais que o conteúdo inteiro: apaga num segundo a autoridade que a explicação construiu. Os erros que mais derrubam, por que pesam tanto e como o profissional se blinda.

Um especialista pode falar dez minutos com domínio total de um assunto e perder a plateia numa única palavra: basta soltar um houveram problemas ou um a nível de no meio da explicação. No ar, ou diante de um público, o erro de português tem um peso desproporcional, ele apaga num segundo a autoridade que o conteúdo levou minutos para construir.

Por que um deslize pesa tanto

Quando alguém se dispõe a falar em público, o ouvinte assume que essa pessoa domina a ferramenta básica do trabalho: a própria língua. Um tropeço gramatical quebra essa expectativa e liga um alerta: se errou nisso, será que sabe do resto? Não é uma reação racional, é quase instintiva, e atinge em cheio justamente quem depende de ser levado a sério, o comunicador, o professor, o vendedor, o porta-voz.

Os que mais derrubam

Alguns erros são tão conhecidos que viraram radar instantâneo de quem ouve. O houveram muitos casos quando o certo é houve muitos casos. O a nível de empurrado para onde caberia em nível de, ou, simplesmente, de. O menas, que não existe. E o clássico para mim fazer no lugar de para eu fazer. Nenhum deles impede a comunicação, todo mundo entende o que se quis dizer, mas todos cobram um pedágio de credibilidade.

Não é sobre falar difícil

Comunicar bem não é encher a frase de palavra pomposa nem soar professoral: o exagero culto soa falso e afasta tanto quanto o erro. O que importa é não tropeçar no básico, falar certo e natural ao mesmo tempo, sem chamar atenção nem para o erro nem para o rebuscamento. O português bem-falado, no fim, é o que não se nota.

Como o profissional se blinda

Ninguém nasce imune a esses deslizes; o que o profissional faz é reduzir o risco. Lê muito, presta atenção em quem fala bem, revisa o texto antes de gravar, tira a dúvida em vez de chutar, e treina os pontos onde costuma escorregar até virarem automáticos. Falar corretamente sob pressão, sem soletrar regras de gramática na cabeça, é uma habilidade que se constrói com prática orientada, parte do que se treina num curso de locução e comunicação, para que a fala convença em vez de atrapalhar.

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