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Ler um texto pronto em voz alta costuma apagar a gagueira que aparece na fala espontânea

Por Arthur Jobim2 min de leitura
Homem de perfil falando ao microfone em cabine de gravação, com luz ambiente ao fundo, ilustrando locução e fluência de fala

Uma pessoa pode gaguejar na conversa do dia a dia e não travar nem um pouco lendo um texto pronto. A ciência por trás disso, e o caso real do ator Murilo Benício.

O ator Murilo Benício conviveu com gagueira real até os vinte e um anos, período em que passou por tratamento fonoaudiológico. Em 1993, ainda em processo de superação, interpretou Fabrício, personagem que gaguejava, na novela Fera Ferida: um ator que lidava com o problema na vida real dando vida, com o roteiro pronto na mão, a um personagem que tinha o mesmo problema na ficção.

Por que ler ou cantar muda o quadro

O fenômeno é bem documentado na fonoaudiologia: a gagueira aparece na fala espontânea, quando quem fala formula a frase e a emoção ao mesmo tempo que fala, ativando mais o hemisfério esquerdo do cérebro, ligado à produção da fala. Ao ler um texto já pronto ou cantar uma letra conhecida, entra em ação um circuito diferente, mais associado ao hemisfério direito e a sistemas pré-motores ligados ao ritmo, o que reduz as travas típicas da gagueira. Repetir uma resposta já treinada tem efeito parecido.

É o mesmo controle de ritmo que Murilo Benício encontrou lendo um roteiro pronto: ler sem hesitar é o que se treina desde o primeiro dia num curso de locução, o caminho que, por outra via, também dá fluência a quem gagueja fora do estúdio.

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