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A escola mais dura da comunicação brasileira tinha plateia, luz e nenhuma segunda chance

Por Arthur Jobim2 min de leitura
Foto em preto e branco de um auditório lotado visto do alto, com a plateia nas arquibancadas voltada para o palco iluminado e um grande telão ao fundo, evocando a era dos programas de auditório

O programa de auditório foi o teste de fogo de gerações de comunicadores: plateia viva, ao vivo, sem ensaio nem edição. Por que esse formato formou os grandes, e onde a lógica dele sobrevive hoje.

Durante décadas, a forma mais difícil e mais cobiçada de aparecer na televisão brasileira foi o programa de auditório. Uma plateia cheia, luzes quentes, transmissão ao vivo e um apresentador no meio de tudo, sem teleprompter generoso nem edição para salvar depois. Quem dominava o auditório dava conta de qualquer palco depois. Foi nesse formato que o Brasil formou alguns dos maiores comunicadores que já teve.

De onde veio o auditório

O gênero nasceu no rádio, nos anos 1940 e 1950, com plateias que iam aos estúdios assistir às apresentações musicais e aos concursos de calouros. Quando a televisão chegou, o formato migrou junto e cresceu: virou tarde e noite de domingo, com música, humor, prêmios, calouros e a plateia como parte do espetáculo. Por muito tempo, foi o coração da programação.

Por que era tão difícil

A dificuldade estava na plateia. Diferente de uma câmera, uma plateia reage: ri, vaia, se distrai, aplaude na hora errada, fica em silêncio quando se esperava barulho. O apresentador tinha que ler esse público em tempo real e ajustar o tom a cada segundo, segurando o programa de pé sem ensaio. Não havia corta nem grava de novo: o erro ia ao ar junto com o acerto, na frente do país inteiro, sem volta. Foi assim que se formaram muitos dos grandes nomes da comunicação brasileira, presença, voz, improviso e jogo de cintura, tudo cobrado de uma vez.

Para onde o auditório foi parar

O formato clássico encolheu, espremido por custos altos e por uma audiência que se espalhou em mil telas. Mas a sua mecânica reapareceu em outros lugares: a live com chat ao vivo, o podcast gravado diante de uma plateia, o programa de calouros que ainda lota as noites de domingo. Todos herdaram a mesma essência: uma pessoa conduzindo a energia de um público que não dá para controlar.

É essa desenvoltura, falar para gente de verdade, com imprevisto e reação na hora, que um curso de apresentação treina. Diante de uma plateia, ou se sabe conduzir, ou se aprende.

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