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Ele tentou cinco vezes entrar no rádio, e virou o comunicador mais elegante da TV

Por Arthur Jobim2 min de leitura
Microfone clássico de rádio cromado em primeiro plano dentro de um estúdio aconchegante, com um segundo microfone de estúdio desfocado ao fundo, evocando a era de ouro do rádio e da TV

Blota Júnior fez da dicção perfeita e do português castiço uma marca registrada. A história do comunicador mais elegante da TV brasileira, e por que o apuro dele era técnica, não dom.

Blota Júnior bateu cinco vezes na porta do rádio paulistano antes de ser aceito. Depois disso, não saiu mais por meio século, e se tornou o nome que muita gente associa à própria ideia de elegância no microfone. Conduzia um festival de música com a mesma firmeza com que, anos antes, narrara futebol no rádio. Dicção impecável e português cuidado: Blota foi, para várias gerações, o modelo do comunicador que falava bem porque levava a sério o ato de falar.

A elegância era técnica, não pose

O português castiço de Blota não era afetação nem dom de berço. Ele estudava a língua, vigiava cada sílaba, ensaiava o ao vivo. Numa época sem teleprompter, sem edição, sem segunda chance, falar certo diante do microfone era um trabalho duro, e ele transformou esse rigor em marca pessoal. Virou a referência viva de como se fala bem em público no Brasil.

Um construtor da comunicação brasileira

Blota não só apareceu na história da mídia: ajudou a montá-la. Criou o Troféu Roquette Pinto, foi mestre de cerimônias dos festivais de MPB na Record, aqueles que pararam o país nos anos 1960, e passou por TV Tupi, Bandeirantes e SBT ao longo de décadas. Em boa parte dos grandes eventos de comunicação da época, era a voz dele que abria a noite.

O que ele ainda ensina a quem comunica hoje

Num tempo de pressa, áudio acelerado e informalidade total, a figura de Blota soa de outro tempo. Mas a lição dele é simples: clareza, cuidado com a língua e respeito por quem ouve, três coisas que separam quem fala de quem comunica. Esse rigor, que parecia natural nele, era técnica, a mesma que ainda se estuda num curso de locução e apresentação, para quem entende que falar com cuidado continua sendo um diferencial que a pressa não apaga.

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