Cada fala dublada num videogame precisa caber, quase ao milissegundo, na duração do áudio original

Dublar videogame envolve gravar falas fora de ordem, em blocos curtos, encaixando cada uma na duração exata do áudio original. Entenda o crescimento desse mercado no Brasil a partir do caso de Aloy, de Horizon Forbidden West.
Cada fala dublada num videogame precisa caber, quase ao milissegundo, na duração exata do áudio original em inglês, antes de entrar na programação do jogo. Foi esse tipo de exigência que a atriz Tatiane Keplmair enfrentou dublando Aloy, protagonista de Horizon Forbidden West: um trabalho anunciado ainda antes do lançamento, em dezembro de 2021, com elenco brasileiro batizado meses de antecedência.
Gravar sem ver o jogo pronto
Diferente de dublar imagem já editada, em videogame o áudio é gravado em blocos curtos, chamados "anéis", de cerca de vinte segundos cada, quase sempre fora de ordem e sem o dublador ter visto a cena completa. Cada trecho vira um arquivo isolado, sem o fio de uma cena, que só ganha sentido quando o jogo monta a sequência na tela do jogador.
Um mercado que cresceu rápido
Em 2020, o português brasileiro já era o quarto idioma mais procurado por desenvolvedores de jogos pra localização integral, atrás só de alemão, francês e espanhol. Títulos grandes como Horizon Forbidden West, God of War Ragnarök e The Last of Us Part II chegaram ao Brasil com dublagem completa e divulgação própria. O mercado de games no país movimentou cerca de R$ 12,7 bilhões em 2025, com mais de cem milhões de jogadores.
Encaixar uma atuação inteira dentro de blocos soltos e fora de ordem, sem perder a coerência da personagem, é o tipo de precisão técnica que se treina em Interpretação para Locução da Escola de Rádio.
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