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Os brasileiros que dão voz aos personagens dos games

Por Arthur Jobim2 min de leitura
Dois jovens jogadores concentrados, de fones de ouvido com microfone, em um ambiente gamer com iluminação vermelha e azul.

Kratos grita em português, Ellie e Joel choram na nossa língua. Por trás de cada personagem dublado há um ator de voz fazendo um trabalho físico e difícil. Conheça a dublagem de games no Brasil e quem dá alma a eles.

Kratos, o guerreiro de God of War, grita de raiva em português. Ellie e Joel, de The Last of Us, choram e se desentendem com sotaque brasileiro. Para milhões de pessoas, jogar virou uma experiência na própria língua, e por trás de cada um desses personagens existe um ator de voz, num estúdio, fazendo um trabalho que pouca gente imagina o tamanho.

De raridade a padrão

Nem sempre foi assim. Os primeiros games dublados começaram a aparecer no início dos anos 2000, mas a dublagem só ganhou força de verdade no fim da geração do PlayStation 3 e do Xbox 360. O motivo é simples: o Brasil é um dos maiores mercados de games do mundo, e as produtoras perceberam que falar a língua do jogador vende. Hoje, lançamento grande sem opção em português brasileiro é exceção.

Vozes que viraram referência

Alguns trabalhos se tornaram marcantes a ponto de o público preferir a versão brasileira. Ricardo Juarez deu voz a Kratos e foi aclamado pelos fãs. Em The Last of Us, Luiza Caspary (Ellie) e Luiz Carlos Persy (Joel) entregaram uma atuação tão forte que voltaram para o jogo seguinte e até para a série da HBO. São nomes que provam: dublar game é atuação, não leitura.

Por que é um trabalho duro

Dublar games tem desafios que o cinema não tem. Muitas vezes o ator grava sem ver a cena final, guiado só pelo áudio original e por indicações de direção, tendo que imaginar o que o personagem está vivendo. Há os gritos de batalha, os gemidos de esforço, as falas repetidas dezenas de vezes para caber na ação, um trabalho físico, que exige fôlego e interpretação na mesma medida. A voz precisa entregar emoção que o jogador nem sabe que está sentindo.

Tudo isso é interpretação levada ao microfone, transformar texto em personagem vivo, que é exatamente o que se treina no curso de Interpretação para Locução da Escola de Rádio. Da próxima vez que um personagem falar com você em português, lembre: tem um ator ali, dando alma a ele.

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