Formado em Direito como o irmão gêmeo, um foi pra advocacia e o outro virou a voz mais ouvida dos rodeios do Brasil

Andraus Araújo de Lima largou a advocacia que o irmão gêmeo seguiu e virou Cuiabano Lima, locutor de rodeio. Os oito segundos de uma prova de montaria são só o clímax: o trabalho de verdade é sustentar a arena inteira nos intervalos.
Andraus Araújo de Lima e o irmão gêmeo Adriano se formaram juntos em Direito. Adriano abriu escritório de advocacia. Andraus trocou o nome pelo qual seria reconhecido a vida inteira: virou Cuiabano Lima, o locutor que hoje é a voz mais associada aos rodeios do Brasil.
O apelido não tem nada a ver com Cuiabá. Veio da canção "Boiada Cuiabana", da dupla Tião Carreiro & Pardinho, um clássico da música sertaneja de raiz que ele escolheu como nome artístico ao começar a locução ainda jovem. O nome pegou antes mesmo da carreira decolar: hoje, na temporada de rodeios, ele soma uma média de 22 datas por mês, viajando entre Centro-Oeste, Norte, Sudeste e Paraná.
Oito segundos pra decidir, horas pra sustentar
O tempo regulamentar de uma prova de montaria em touro é oito segundos. É o intervalo inteiro que separa o peão de pontuar ou ser desclassificado. Só que os oito segundos são a exceção, não a regra, do trabalho de um locutor de rodeio: o grosso do tempo é preenchido nos intervalos, apresentando peão, explicando a pontuação, mantendo a plateia entretida entre uma montaria e outra. Segurar a energia de um estádio lotado nesses minutos de silêncio é, tecnicamente, mais difícil do que narrar os oito segundos em si.
A Festa do Peão de Barretos, palco onde locutores como Cuiabano Lima construíram carreira, nasceu em 1956, fundada pelo grupo Os Independentes num picadeiro de circo de touradas emprestado. Hoje é considerada o maior rodeio da América Latina, reunindo cerca de 1 milhão de visitantes ao longo dos 11 dias de festa. Foi ali que o rodeio deixou de ser só competição de peão pra virar também plataforma de show, e o locutor virou quem não deixa a plateia esfriar entre uma prova e outra.
Cuiabano trocou a banca pela arena e transformou voz em ofício, o irmão foi de escritório, ele foi de microfone. É o tipo de técnica que os cursos de locução e apresentação da Escola de Rádio ensinam do zero: sustentar energia, ritmo e clareza por horas, não só nos oito segundos que todo mundo está olhando.
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