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Trinta e nove de 42 funcionários de uma rádio carioca foram demitidos quando um software passou a tocar a madrugada inteira sozinho

Por Arthur Jobim2 min de leitura
Close-up de uma mesa de mixagem digital com faders e LEDs coloridos acesos (azul, verde e laranja) em ambiente escuro, sugerindo um estúdio de rádio operando sozinho durante a madrugada.

Décadas antes da IA generativa, softwares de automação de playlist já substituíam locutores de madrugada no rádio brasileiro. O caso documentado da Rádio Paradiso FM e o que sobrou de mercado pra quem construiu identidade sonora própria.

Trinta e nove dos 42 funcionários da Rádio Paradiso FM, no Rio de Janeiro, foram demitidos em poucos meses quando a emissora adotou um sistema de automação de playlist, segundo pesquisa do professor Marcelo Kischinhevsky publicada em 2008. Não foi um caso isolado: o mesmo processo se espalhou por rádios FM do Rio ao longo dos anos 2000, décadas antes de qualquer inteligência artificial generativa existir.

Tocar sozinho não é a mesma coisa que substituir

Os softwares de automação básicos cobrem apresentação de música, abertura e encerramento de bloco, hora certa e transmissão de notícias simples, rodando sequências pré-programadas com vinhetas e jingles inseridos por agendamento. A empresa brasileira Pulsar Multimedia, que atende emissoras como Jovem Pan, Alpha FM e Mix FM, atua nesse mercado desde o início dos anos 1990; o software InfoAudio, de outro fabricante, está presente em mais de 1.300 emissoras no país. A lógica sempre foi a mesma: começar automatizando a madrugada, horário de menor audiência, onde é mais fácil justificar cortar a folha de pagamento.

Kischinhevsky resume o efeito num título que virou referência no meio acadêmico: "o locutor perdeu o emprego". Segundo ele, quem sobreviveu no mercado depois da automação em massa foi quem conseguiu construir identidade sonora própria e reativar a relação pessoal com o ouvinte, algo que um sistema de sequenciamento de arquivos de áudio nunca reproduz sozinho.

Vale separar bem as duas ondas: a automação de playlist tocando música e vinheta pré-gravada é tecnologia antiga, de trinta anos atrás, sem nenhuma inteligência por trás, só sequência programada. A dúvida real do mercado hoje é outra e mais recente: o que muda quando o software para de só tocar arquivo em ordem e passa a decidir sozinho o que colocar no ar.

Quem quer se firmar nesse mercado, em vez de virar estatística de automação, precisa exatamente do que faltou nos locutores substituídos: voz com identidade própria, o foco do curso de Locução Profissionalizante da Escola de Rádio.

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