O rádio não é televisão e não deveria se portar como tal

Jovem Pan e BandNews FM transformaram seus programas de rádio em transmissão de vídeo ao vivo, com câmeras no estúdio. Um executivo do setor discorda: o rádio não deveria virar televisão. O que muda de verdade pra quem apresenta.
O rádio não é televisão e não deveria se portar como tal. A frase é de Dionatan Boeger, CEO da BRLOGIC, empresa que fornece streaming de áudio pra mais de 3.500 rádios brasileiras, escrita como crítica a uma tendência que já é maioria entre as grandes emissoras de rádio falado do país: transmitir o programa também em vídeo, com câmeras dentro do estúdio.
O maior exemplo
O Grupo Jovem Pan transmite, desde 2020, pelo YouTube e pelo aplicativo próprio Panflix, os mesmos programas que vão ao ar na rádio: Jornal da Manhã, Os Pingos nos Is, Pânico, 3 em 1. A emissora diz que o formato coincidiu com um salto de audiência digital: 57 milhões de usuários únicos e mais de 600 milhões de visualizações já no primeiro trimestre de 2020, chegando a 2,8 bilhões em 2024. Os números, porém, vêm sempre de divulgação da própria Jovem Pan, sem medição independente. Antonio Augusto Amaral de Carvalho Filho, o Tutinha, presidente do grupo, cunhou o bordão que a emissora repete desde então: Panflix é o rádio que virou TV.
A BandNews também entrou
A BandNews FM passou a transmitir ao vivo pelo YouTube programas como o BandNews na Área.
O que a câmera muda
Boeger questiona, no mesmo texto, o valor de mostrar uma câmera que só filma o locutor ajustando o fone ou cutucando o nariz. Ligar uma câmera no estúdio muda a rotina de quem apresenta: o ambiente precisa ficar em ordem o tempo todo, entra iluminação dedicada, e quem fala passa a interpretar pra duas plateias ao mesmo tempo, uma que só ouve e outra que também vê cada gesto.
Pra quem locuciona no rádio e vê a câmera virando parte do trabalho, a Escola de Rádio tem o curso de Apresentação de TV e Mídias Profissional, pensado justamente pra essa dupla plateia, quem ouve e quem também vê.
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