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Voltar pro blogMercado de Rádio, TV e Comunicação

Cada supermercado tem uma rádio. Alguém precisa locutar.

Por Arthur Jobim2 min de leitura
Microfone profissional de estúdio em close, com fundo azul desfocado, evocando a locução e a transmissão de áudio do rádio indoor

Aquela oferta que toca entre as músicas no supermercado foi gravada por um locutor, dias antes, num estúdio. Como funciona o rádio indoor, um mercado de voz discreto, constante e espalhado pelo país.

Entre uma música e outra, no supermercado, entra uma voz animada anunciando a oferta do dia: o quilo da picanha, o desconto nos produtos de limpeza, a promoção relâmpago do corredor 7. Essa voz não é do gerente nem de um funcionário com um microfone na mão. Quase sempre é um locutor profissional que gravou aquilo num estúdio, dias antes, para um sistema que tem nome: rádio indoor.

O que é rádio indoor

É a rádio interna de uma loja: uma programação de música intercalada com anúncios de promoção e recados da marca, tocando no sistema de som do estabelecimento. Supermercados, farmácias, lojas de departamento, academias e postos usam o recurso para manter o cliente informado e estimular a compra por impulso enquanto ele circula. É uma mídia que fala com o consumidor no exato momento em que ele está de carrinho na mão.

Um trabalho curto que nunca termina

A graça, para quem grava, está na recorrência. As ofertas mudam toda semana, às vezes todo dia, e cada mudança exige spots novos. São gravações curtas, de quinze ou trinta segundos, produzidas em grande volume e com prazo apertado. Para a rede, é uma mídia própria e barata; para o locutor, é uma fonte de trabalho que se renova sem parar, ao longo do ano inteiro.

A voz precisa vender sem irritar

Aqui está a sutileza da função. A locução de rádio indoor tem que soar convincente e ter energia, mas não pode cansar nem soar estridente, porque o cliente passa quarenta minutos ali dentro ouvindo a mesma rádio. É preciso energia na medida certa, clareza no nome do produto e no preço, e um tom que convide sem gritar. Voz demais espanta o cliente; voz de menos passa em branco e a oferta não vende.

O mercado que ninguém vê

Multiplique cada rede por cada cidade e cada ponto de venda, e se entende o tamanho escondido desse mercado. Por trás dele há produtoras especializadas e uma porção de locutores que vivem desse tipo de gravação ágil. Quase ninguém percebe que existe uma profissão ali, no anúncio que toca enquanto se escolhe o jantar, mas existe, e é locução comercial no estado mais puro, do tipo que se aprende num curso voltado à voz na publicidade. Quem quiser saber por onde começar pode falar com a gente no WhatsApp.

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