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Fechar uma ordem de compra na Bolsa de São Paulo dependia de um operador gritar mais alto que outras mil e quinhentas pessoas na mesma sala

Por Arthur Jobim2 min de leitura
Gráfico de candles verde em alta sobre fundo preto quadriculado, representando a volatilidade dos preços durante um pregão de bolsa de valores

Até 2005, negociar na Bolsa de São Paulo era uma questão de voz: operadores gritavam ordens em meio a mil e quinhentas pessoas. A história do pregão viva-voz, de 1895 até a digitalização.

Fechar uma ordem de compra ou venda na Bolsa de Valores de São Paulo dependia de um operador conseguir se fazer ouvir no meio de mil e quinhentas pessoas gritando ordens ao mesmo tempo, na mesma sala. Não existia clique nem tela: existia voz, gesto de mão e braço, e a repetição de um preço até alguém do outro lado confirmar o negócio.

Um sistema que vinha desde o século dezenove

O pregão viva-voz da Bovespa começou em 1895 e sobreviveu até 30 de setembro de 2005, quando a bolsa migrou de vez pro sistema eletrônico. Na Bolsa de Mercadorias e Futuros, que negociava contratos futuros, o modelo aguentou mais alguns anos, até a fusão com a Bovespa e o fim definitivo em 2009.

O que a voz conseguia e o computador multiplicou

No auge desse sistema, o volume diário girava entre dez e quinze mil operações. Depois da digitalização total, a média diária de negócios saltou pra oito milhões e meio, com picos de dezoito milhões numa única sessão. Nem o operador mais rápido da sala aguentaria esse ritmo: o limite deixou de ser o pulmão de quem gritava e passou a ser a velocidade de um computador.

A habilidade que sustentava aquele pregão, projetar a voz e se fazer entender com clareza em meio ao caos, é trabalhada até hoje na Locução Profissionalizante da Escola de Rádio, só que aplicada a outros palcos.

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