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Pesquisa: 86% de mulheres negras relatam racismo no trabalho

Dia 21 de março é o Dia Internacional pela Eliminação da Discriminação Racial. A data foi criada pela Organização das Nações Unidas (ONU), em memória dos 69 mortos no massacre de Shaperville, em 1960, em Joanesburgo, na África do Sul. O evento chamou a atenção mundial para o apartheid, sistema de segregação racial existente no país de 1848 a 1991.

Aqui no Brasil, uma pesquisa sobre a realidade das mulheres negras no mercado de trabalho revelou que ainda há muito o que se fazer para que essa discriminação seja de fato eliminada.

Participaram 155 mulheres negras, formalmente empregadas, de nível superior completo. Com atuação em diferentes setores, com destaque para educação, recursos humanos, tecnologia da informação, telemarketing, relações públicas, administração e comércio.

O levantamento apontou que 86% já sofreram racismo no mercado de trabalho; e mais de 90% delas tiveram a saúde mental afetada por essa discriminação.

A idealizadora da pesquisa e fundadora da consultoria Trilhas de Impacto, Juliana Kaiser, afirma que a mulher negra ainda tem muitos desafios no mundo corporativo. Juliana fala sobre os padrões na discriminação.

“Esse racismo opera no mercado corporativo de forma tão perversa (…) dentre estas categorias, tem o cabelo. Mais de 70% das mulheres relataram que o cabelo foi assunto delas no mercado de trabalho; 63% dessas mulheres falaram sobre o fato de serem confundidas com a ‘tia da limpeza’. E muitas delas relataram também a dificuldade que elas tem de ascensão. E a dificuldade de ascensão no mercado de trabalho está relacionada àquilo que elas chamaram de ‘cara de pobre'”.

Juliana Kaiser explica que a discriminação tem uma relação direta com a cor da pele e com traços negros: “Uma das coisas que mais me chamou a atenção foi o depoimento de uma das mulheres participantes em que ela diz que ela não entendia por que, mesmo ela não sendo funcionária da limpeza, que ela recebia uma ordem do líder dela, direto, para que ela limpasse o local onde ela trabalhava. Ela não conseguia compreender bem. Só durante o processo terapêutico que ela foi se dar conta de que ela estava sendo vítima de racismo, já que os colegas dela, da mesma função, não tinham que limpar o seu lugar de trabalho, a sua mesa, e o chão, e por acaso eles eram brancos”.

A pesquisa foi feita no LinkedIn, rede social focada em negócios e emprego, nos últimos dois anos. Do total das participantes, 24,5% possuem ensino superior, 50% nível superior e pós-graduação e 13,5% mestrado e doutorado. Participaram da pesquisa mulheres entre 19 e 55 anos, com média de idade de 30 a 45 anos.

Fonte: Agência Brasil

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