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Mural de 336 metros quadrados assinado pelo paulistano Eduardo Kobra colore a fachada da sede da ONU

Mural de 336 metros quadrados assinado pelo paulistano Eduardo Kobra colore a fachada da sede da ONU em Nova Iorque. A obra, uma exaltação à sustentabilidade  um pedido de ação climática para o futuro das novas gerações.

“Eu sonhei com isso, mas não imaginei que pudesse, um dia, realmente acontecer”, revelou o artista, de 47 anos.

Depois de acreditar que nunca teria acesso ao mundo “oficial das artes” por suas origens como artista de rua, Kobra agora coloca seu nome ao lado de outros dois brasileiros que marcaram a história artística do prédio: o arquiteto Oscar Niemeyer, que contribuiu com o projeto do edifício; e o pintor Cândido Portinari, cujos painéis “Guerra e Paz” foram o presente do governo brasileiro para a inauguração da sede das Nações Unidas.

Autodidata, criado em Campo Limpo, na periferia de São Paulo, Kobra cresceu sem acesso ao universo oficial das artes. Foram imagens das ruas desta mesma Nova Iorque que  levaram o brasileiro a pensar em uma carreira artística.

“Eu comecei a pintar por influência de artistas daqui, da década de 70, 80, do Brooklyn, do Bronks”, relata ao lembrar como os livros da fotógrafa Martha Cooper tornaram-se uma bíblia para ele ainda na  juventude. “Tudo o que eu realizo aqui tem um valor emocional e sentimental muito relevante.”

O caminho de Campo Limpo ao reconhecimento internacional não foi fácil. Vítima de preconceito e discriminação por suas origens como artista de rua, Kobra começou sua jornada colorindo os muros da  própria comunidade. Aos poucos seu talento foi sendo reconhecido e começaram a aparecer convites para que ele criasse murais em outros bairros, cidades, países e continentes.

“Eu queria pintar e as pessoas achavam que isso era algo relacionado a ser vagabundo, a não querer trabalhar, não querer compromisso ou algo do tipo”, recorda. “Mas sou muito insistente em meus objetivos. O que eu queria era pintar”.

Arte de rua – E Kobra pintou: foram mais de três mil murais desde o final dos anos 1980, em cidades como São Paulo, Rio de Janeiro, Londres, Paris e até Mumbai, na Índia. Entre as séries mais famosas está o projeto “Muro das Memórias”, em que recuperou imagens históricas de São Paulo; e o painel “Olhares da Paz”uma homenagem a quem luta por um mundo mais pacífico, representados por retratos de laureados com o Prêmio Nobel da Paz como Malala Yousafzai Malala e Nelson Mandela.

Acessível – O artista sabe que a natureza da sua arte é efêmera: painéis de rua desbotam, são destruídos ou desaparecem debaixo de outras inscrições. Ainda assim,  Kobra ressalta a importância da arte de rua:  “ Arte é algo que vem de dentro para fora. A beleza de pintar nas ruas é porque há o acesso de todas as pessoas. É a forma de arte mais democrática que existe.”

Ideais – A produção artística do paulistano inclui temas que o interessam ou o incomodam: a exaltação de um mundo mais tolerante, a união dos povos, o fim da violência e do racismo, a proteção do meio ambiente e dos povos indígenas.

O  novo mural na sede da ONU, que deve ficar exposto pelo menos até dezembro, é protagonizado por um homem e uma criança, com o planeta terra ao meio. Kobra explica que representa um pai presenteando a filha, com a intenção de trazer a reflexão sobre o legado de cuidado com o meio ambiente que será entregue às gerações futuras. “Eu coloquei um brasileiro comum, mostrando que a responsabilidade de cuidar do planeta é de todos nós. E lá no epicentro, na América Latina, representando o cuidado que nós temos com a nossa querida floresta Amazônica”.

Segundo Kobra, o trabalho tem o objetivo de celebrar a sustentabilidade, pauta de extrema relevância para as Nações Unidas e que deve estar no centro dos debates da semana de alto nível da Assembleia Geral, que começa hoje.

“Meu objetivo não é apenas estético ou simplesmente a pintura pela pintura, e sim as mensagens. Isso é o mais importante em meu trabalho e foi isso que abriu as portas do mundo todo.”

Fonte: ONU News

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