Antes de morrer, o locutor do Maracanã escolheu como próprio substituto o enfermeiro que cuidou dele no estádio

Victorio Gutemberg foi a voz do Maracanã por 42 anos. Antes de morrer, escolheu como sucessor o enfermeiro que o atendeu quando passou mal no estádio. A diferença entre o speaker que fala pra quem já está vendo o jogo e o narrador de TV/rádio.
Victorio Gutemberg passou mal dentro do Maracanã, onde tinha sido a voz oficial do estádio desde 1962. Quem o atendeu foi um enfermeiro que também trabalhava como radialista, Fábio Leandro. Semanas depois, já perto da morte, Gutemberg pediu à administração do estádio que testasse Fábio como seu substituto no microfone. Ele passou no teste e assumiu o cargo.
Por 42 anos, Gutemberg tinha sido dono de bordões como "SU-DERJ IN-FORMA", pra anunciar substituições e avisos gerais, e "LO-TE-RIA", pra ler o resultado da Loteria Esportiva no intervalo.
A voz de quem já está vendo o jogo
O speaker de estádio não faz o mesmo trabalho do narrador de TV ou rádio. Enquanto o narrador descreve a jogada, lance a lance, pra quem está longe, o speaker fala pra quem já está vendo tudo ao vivo: seu papel é esquentar a torcida entre lances, avisar escalação e fazer a contagem de gol, não narrar o que todo mundo já está enxergando. Hoje quem fala ao microfone do Maracanã é Sérgio Luis, locutor desde 2013, também na Super Rádio Tupi, com mais de 35 anos de carreira em locução.
O bordão sobrevive ao microfone que o criou
No Allianz Parque, do Palmeiras, o locutor Marcos Costi criou o bordão de gol "Tá lá dentro" numa partida de 2014 contra o rebaixamento; o termo pegou tanto que virou linguagem oficial do clube nas redes sociais. Ele também trocou "banco de reservas" por "banco de titulares", escolha deliberada pra valorizar todo o elenco.
O que o speaker de um estádio anuncia comercialmente é regulado pela CBF, que veta publicidade de marca que não seja parceira oficial da competição durante os jogos. O bordão que ele cria, esse ninguém regula: "Tá lá dentro" já é mais conhecido que o nome de quem inventou; "SU-DERJ IN-FORMA" ainda aparece em qualquer matéria sobre a história do Maracanã, décadas depois de Gutemberg ter passado o microfone pro enfermeiro que salvou a vida dele.
Quem quer aprender a diferença entre narrar e ser a voz de um estádio, e treinar isso na prática, encontra esse caminho no curso de Narração Esportiva da Escola de Rádio.
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