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Glória Menezes: o adeus a uma das maiores damas da teledramaturgia brasileira

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Glória Menezes: o adeus a uma das maiores damas da teledramaturgia brasileira

Glória Menezes morreu aos 91 anos, no Rio. Relembre a trajetória de mais de seis décadas de uma das maiores damas da teledramaturgia brasileira e seu legado para a comunicação.

A televisão brasileira amanheceu mais silenciosa nesta quarta-feira. Glória Menezes morreu na terça (18/08), em casa, no Rio de Janeiro, aos 91 anos, por causas naturais. Com ela se encerra uma trajetória de mais de seis décadas que ajudou, literalmente, a construir a linguagem da TV no país e que serve de referência para todo mundo que sonha em viver de comunicação e de interpretação.

Nascida Nilcedes Soares de Magalhães, em Pelotas (RS), em 19 de outubro de 1934, Glória se mudou ainda menina para São Paulo e se formou na Escola de Artes Dramáticas da USP. Estreou profissionalmente em 1959, na TV Tupi, na novela "Um Lugar ao Sol". Estava ali o começo de uma carreira que atravessaria a história do rádio, do teatro, do cinema e, sobretudo, da televisão brasileira.

O que muita gente não lembra é que, antes das câmeras, veio o microfone. No início da carreira, Glória participou de inúmeras radionovelas, o gênero que, naquela época, formava a maior parte dos grandes intérpretes do país e ensinava, apenas com a voz, tudo o que hoje chamamos de presença. Foi justamente numa radionovela que sua história ganhou o capítulo mais decisivo: em 1961, no elenco de "Uma Pires Camargo", da Tupi, Glória contracenou pela primeira vez com um jovem ator chamado Tarcísio Meira. O romance que se tornaria o casal mais icônico da televisão brasileira nasceu ali, diante de um microfone.

Em 1962, Glória integrou o elenco de "O Pagador de Promessas", único filme brasileiro a conquistar a Palma de Ouro no Festival de Cannes. No ano seguinte, ao lado de Tarcísio, protagonizou "2-5499 Ocupado", na TV Excelsior — a primeira novela diária da televisão brasileira. Casados desde então e juntos até a morte dele, em 2021, os dois viraram sinônimo de longevidade, parceria e respeito à profissão — uma verdadeira escola de ofício que começou no rádio e atravessou seis décadas de TV.

Na Globo, foram mais de 40 novelas e personagens que ficaram na memória de gerações: "Irmãos Coragem" (1970), "Rainha da Sucata" (1990) e "Totalmente Demais" (2015), seu último trabalho na teledramaturgia. No teatro, brilhou em montagens como "Navalha na Carne" e, já octogenária, voltou aos palcos em "Ensina-me a Viver" (2013), prova de uma vitalidade artística que não conhecia idade. No cinema, além de Cannes, deixou marca em títulos como "Independência ou Morte" e "Se Eu Fosse Você".

O reconhecimento a esse legado se estendeu até os últimos dias. Na quarta-feira anterior à sua morte (12/08), Glória foi eternizada com uma estrela na Calçada da Fama dos Estúdios Globo, no Rio. Sem poder comparecer, foi representada pelo filho, o ator Tarcísio Filho, que recebeu também a homenagem em memória do pai. Foi o capítulo final de um reconhecimento que a acompanhou até o fim.

Por que uma escola de rádio, TV e web fala sobre Glória Menezes? Porque a história dela é a história do próprio meio — e porque ela começou exatamente onde começa boa parte de quem sonha em viver de comunicação: diante de um microfone. Antes de ser rosto, Glória foi voz. Cada geração de comunicadores, locutores, apresentadores e intérpretes se apoia no caminho aberto por artistas como ela — profissionais que trataram o microfone, a câmera e o palco com técnica, entrega e verdade. Homenagear Glória é lembrar que comunicar bem é, no fundo, emocionar e conectar pessoas.

Aqui na ER+, seguimos formando quem quer dar continuidade a essa história. A cada novo talento que passa pela nossa escola, o legado de nomes como Glória Menezes permanece vivo.

Glória, obrigada por tanto. Você sempre vai continuar no ar.

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