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O garoto da Bombril e a prova de que a voz vende mais que o efeito

Por Arthur Jobim2 min de leitura
Set de gravação de comercial de TV com atores, diretor, refletores, microfone boom e câmera em estúdio profissional.

Sem efeito nenhum, só um homem de avental e a voz certa: o garoto-propaganda da Bombril virou recordista do Guinness e uma aula sobre o poder da locução publicitária. A voz que conversa vende mais que a que anuncia.

Um homem de avental, olhando para a câmera e explicando com calma por que aquele produto tinha mil e uma utilidades. Sem trilha grandiosa, sem firula — foi essa figura simples que se tornou um dos maiores fenômenos da publicidade brasileira. O garoto-propaganda da Bombril provou o que o mercado às vezes esquece: muitas vezes quem vende não é o efeito especial, é a voz e o jeito de quem fala.

Quase quarenta anos no mesmo papel

O personagem estreou em 1978, criação de Washington Olivetto na agência DPZ, vivido pelo ator Carlos Moreno como "Alberto", um químico industrial que apresentava os produtos com naturalidade de vizinho conversando. A parceria atravessou décadas: foram centenas de comerciais ao longo de quase quarenta anos, com Moreno entrando e saindo do papel, mas sempre com a mesma fórmula calma e confiável.

Um recorde mundial

A constância virou número de marca: em 1994, Carlos Moreno entrou para o Guinness Book como o ator que protagonizou a campanha publicitária mais longa do mundo. Ao todo, foram mais de 300 comerciais. Nenhum deles dependia de produção mirabolante — o que segurava o espectador era a presença, o timing e o tom de voz de quem parecia estar do nosso lado, e não nos empurrando algo.

A lição que vale até hoje

O caso Bombril é uma aula sobre o poder da locução publicitária. Vender com a voz não é gritar oferta nem forçar entusiasmo; é construir confiança no tom certo, na medida certa, de um jeito que o ouvinte acredite. O mercado de publicidade busca exatamente isso — naturalidade, não vozeirão. A voz que conversa vende mais do que a voz que anuncia.

Aprender a usar a voz para vender sem parecer que está vendendo é uma técnica, não um dom — e é justamente o que se trabalha no curso de A Voz na Publicidade da Escola de Rádio. Afinal, às vezes basta um avental e a voz certa para entrar para a história.

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