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Paciente 63 virou o podcast de ficção mais ouvido do Spotify Brasil

Por Arthur Jobim2 min de leitura
Microfone condensador de estúdio ao lado de um fone de ouvido profissional, sobre fundo escuro com iluminação dramática em tons esverdeados, evocando um ambiente de gravação de áudio.

Rádio Novelo, Spotify e B9 transformaram a ficção sonora em um dos formatos mais premiados do podcast brasileiro. Como Praia dos Ossos, Paciente 63 e França e o Labirinto mudaram um gênero que o rádio quase perdeu para a TV.

Em 2020, a produtora Rádio Novelo lançou Praia dos Ossos, um podcast em oito episódios sobre o assassinato da socialite Ângela Diniz. A série passou de 2,2 milhões de downloads e foi indicada ao Prêmio APCA de Melhor Podcast. Um ano depois, Paciente 63 estreou no Spotify, adaptação de uma série chilena, e chegou ao topo geral da Parada Spotify Brasil, ficando três semanas seguidas como o mais ouvido do país, além de levar o mesmo prêmio em 2021.

De adaptação a produção original

Em agosto de 2023, o Spotify apresentou França e o Labirinto como a primeira audiossérie com roteiro cem por cento brasileiro, sem adaptar nenhuma obra estrangeira. Antes dela, o catálogo de ficção sonora da plataforma no país já incluía Sofia, baseada em Sandra, e Batman Despertar, baseado em Batman Unburied. A produtora B9 também investiu no formato com 95%, uma áudio-ficção de quatro episódios feita em parceria com o podcast Mamilos e a farmacêutica Roche.

A voz como elenco inteiro

Um audiodrama pede elenco interpretando personagens distintos, efeitos sonoros e uma edição em camadas de trilha e ambientação. Quem grava esse formato precisa de dicção, entonação e ritmo que mudem de personagem pra personagem, sustentando cada voz do primeiro ao último episódio sem se confundir com as outras.

Um nicho dentro de um boom maior

O Brasil lidera o consumo mundial de podcast: 42,9% dos internautas de 16 a 64 anos ouvem toda semana, segundo a DataReportal. Entre 2020 e 2023, o número de ouvintes cresceu mais de 100%, chegando a 50 milhões de pessoas, e a receita publicitária do formato chegou a R$ 400 milhões em 2023, de acordo com a Kantar Ibope Media. Não existe ainda um recorte oficial de quanto desse crescimento vem especificamente da ficção sonora, mas o gênero que a TV e o cinema quase deixaram para trás no rádio voltou a ter espaço, agora dentro do fone de ouvido.

É esse tipo de trabalho, dar voz a um personagem sem gesto e sem rosto, que se ensina no curso de Interpretação para Locução da Escola de Rádio, pensado tanto pra quem narra quanto pra quem atua de voz.

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