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Antes de qualquer notícia ir ao ar, alguém reescreve o texto inteiro só pra ele soar natural na fala

Por Arthur Jobim2 min de leitura
Mão segurando uma caneta vermelha sobre uma folha de papel em branco, com uma máquina de escrever antiga desfocada ao fundo, remetendo ao trabalho de revisão de texto em redação.

Antes de qualquer notícia ir ao ar, alguém reescreve o texto pra ele soar natural na fala. Conheça o copidesque, o profissional de bastidor que escreve pro ouvido, não pro olho.

Um texto que funciona perfeitamente impresso pode soar estranho, formal demais, ou simplesmente errado quando alguém tenta lê-lo em voz alta ao vivo. É pra resolver exatamente esse problema que existe o copidesque: o profissional de redação que pega o material pronto, seja de agência, de assessoria ou do repórter, e reescreve cada frase pensando só no ouvido de quem vai ouvir, não no olho de quem vai ler.

Do inglês copy desk ao jargão das redações brasileiras

A palavra desembarcou no Brasil ao longo do século 20, quando o jornalismo local se profissionalizou sob influência direta do modelo americano de imprensa. A função vai além da revisão comum: enquanto um revisor corrige gramática e ortografia, o copidesque reescreve, corta trechos, reorganiza a ordem das informações e pode até ajustar dado técnico pra deixar o texto coeso pro veículo específico onde ele vai circular, seja jornal, rádio ou TV.

Escrever pra quem só vai ouvir uma vez

No rádio, essa reescrita muda a ordem das palavras e corta frase que sobra. A ordem direta domina: sujeito, verbo, complemento, sem inversões que obriguem o ouvinte a rearrumar a frase de cabeça. As frases ficam curtas, porque quem ouve rádio geralmente está fazendo outra coisa ao mesmo tempo, dirigindo, cozinhando, trabalhando, e não tem como voltar e reler um trecho que não entendeu. A reescrita também prioriza verbos descritivos no lugar de pilhas de adjetivo, porque o ouvinte precisa formar a cena na cabeça só com o que escuta, sem imagem de apoio.

Um texto bem copidescado é o que permite a um locutor chegar ao estúdio, ler pela primeira vez e sair no ar sem tropeçar. Errar essa etapa de redação é uma das causas mais comuns de locutor travando no ar, mesmo quando ele domina técnica de dicção e impostação de sobra, e é um dos primeiros cuidados que se aprende num curso de produção de rádio.

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