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Voltar pro blogComunicação, Oratoria e Voz

Ninguém nasce sem medo de falar em público, aprende a falar mesmo assim

Por Arthur Jobim3 min de leitura
Pessoa de costas, em silhueta, falando diante de uma plateia em um ambiente com luz de palco intensa

Até quem fala bem sente o coração disparar antes de subir ao palco. Por que o medo de falar em público acontece, por que mandar relaxar não resolve e o que de fato reduz o nervosismo.

Atores experientes vomitam nos bastidores antes de entrar em cena, é um relato tão comum no teatro que virou folclore. Palestrantes que lotam auditórios admitem que o coração dispara nos primeiros minutos. O medo de falar em público é tão comum que ganhou nome próprio (glossofobia) e persegue inclusive quem vive disso. A imagem de uma pessoa naturalmente destemida diante da plateia é, na maior parte das vezes, uma ilusão. O que existe de verdade é gente que aprendeu a fazer um bom trabalho mesmo com o estômago embrulhado.

O que acontece no corpo quando a plateia aparece

Na hora de encarar uma plateia, o corpo reage como se houvesse perigo real. É um mecanismo antigo, de sobrevivência: o cérebro dispara adrenalina, o coração acelera, a respiração encurta, as mãos esfriam e a boca seca. Em alguns casos vem o branco, aquele apagão momentâneo em que a próxima frase simplesmente some. Nada disso é sinal de fraqueza. É fisiologia, a mesma que protegia nossos antepassados diante de uma ameaça. Entender que a reação é normal e esperada já tira parte do peso: a pessoa deixa de ter medo do próprio medo.

Por que mandar relaxar e ser você mesmo não ajuda

O conselho mais repetido para quem treme antes de falar é também o mais inútil. Ninguém relaxa porque mandaram relaxar, e ser você mesmo não diz absolutamente nada sobre o que fazer com as mãos, com a voz ou com o silêncio. O nervosismo não responde a ordens. Ele responde a preparo. E é aí que mora a boa notícia: o que controla o nervosismo não tem a ver com personalidade. São coisas práticas, que qualquer pessoa pode treinar.

O que de fato diminui o nervosismo

Dominar o conteúdo. Boa parte do medo vem da insegurança sobre o que se vai dizer. Quanto mais se conhece o assunto, menos espaço sobra para o pânico.

Ensaiar em voz alta, não só na cabeça. Falar de verdade, em pé, ouvindo a própria voz, prepara o corpo de um jeito que repassar mentalmente nunca prepara.

Decorar só o começo. Ter os primeiros trinta segundos na ponta da língua garante uma partida firme, e é justamente o início que mais assusta.

Respirar antes de começar. Algumas respirações lentas e fundas avisam ao corpo que está tudo sob controle e baixam a tensão.

Tirar o foco de si e colocar na mensagem. Quem pensa que está sendo julgado aumenta o pânico; quem pensa em fazer a plateia entender alguma coisa se esquece um pouco de si mesmo.

A diferença entre o amador e o profissional

Não está na ausência de medo. O profissional sente o mesmo friozinho e aprendeu a transformar aquela adrenalina em energia e presença, em vez de deixá-la virar travamento. Isso não é dom de nascença: é técnica, e técnica se ensina e se pratica. É exatamente o que se trabalha num curso de oratória e expressão, com exercício, palco e retorno de quem entende, para que, da próxima vez que o coração disparar antes de uma fala, você saiba exatamente o que fazer com ele.

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