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Após críticas, McDonald’s retira do ar campanha criada com inteligência artificial

Uma campanha recente do McDonald’s nos Países Baixos virou assunto no mercado de comunicação — e não exatamente pelo motivo esperado. Criado integralmente com inteligência artificial, o comercial acabou sendo retirado do ar poucos dias após o lançamento, depois de uma onda de críticas dos consumidores.


A proposta do filme era retratar o estresse típico do fim de ano no hemisfério Norte. O comercial, com cerca de 45 segundos, apostava em um formato musical para mostrar situações como escorregões no gelo, biscoitos queimados e pequenos desastres domésticos comuns nessa época. A trilha sonora fazia uma paródia da música It’s the Most Wonderful Time of the Year, trocando “wonderful” por “terrible”.


Apesar da intenção de gerar identificação com o público holandês — que costuma relatar sobrecarga nesse período — a recepção foi negativa. Muitos espectadores criticaram o uso da IA, questionando por que uma marca bilionária optaria por não utilizar profissionais humanos em uma campanha considerada simples de produzir.


Comentários nas redes sociais reforçaram esse incômodo. Alguns usuários apontaram que as cenas poderiam ter sido facilmente gravadas de forma tradicional, enquanto outros viram o uso da tecnologia como uma escolha econômica, e não criativa.


Diante da repercussão, o McDonald’s Holanda retirou o comercial de seus canais oficiais. Em nota, a empresa afirmou que a intenção era refletir momentos estressantes das festas de fim de ano, mas reconheceu que, para muitos clientes, esse período é visto como “a melhor época do ano”. A marca reforçou o compromisso de criar experiências positivas para o público.


Por outro lado, profissionais envolvidos na produção defenderam o projeto. Melanie Bridge, CEO da produtora The Sweetshop, afirmou que o trabalho levou semanas de dedicação intensa e não deveria ser visto como um “truque de IA”. Já alguns nomes do mercado criativo acreditam que a campanha poderia ter permanecido no ar, justamente por provocar debate.


O caso reacende uma discussão importante para quem atua em rádio, publicidade e produção de conteúdo: até que ponto a inteligência artificial agrega valor criativo — e quando ela se afasta das expectativas do público? Em um mercado cada vez mais tecnológico, sensibilidade, contexto e decisão criativa continuam sendo fatores humanos. O que esse caso ensina ao mercado de comunicação

O episódio envolvendo o McDonald’s mostra que o uso de inteligência artificial, por si só, não garante conexão com o público. Tecnologia é ferramenta — não substitui sensibilidade, repertório cultural e leitura de contexto.

Para marcas, agências e produtores de conteúdo, o recado é claro: inovação precisa caminhar junto com propósito e percepção do público. Quando isso não acontece, o risco de rejeição aumenta, mesmo em campanhas tecnicamente bem executadas.

No rádio, na publicidade e no audiovisual, a IA pode acelerar processos, apoiar roteiros e facilitar produções. Mas a decisão final, o tom da mensagem e o impacto emocional ainda dependem de escolhas humanas.

Mais do que discutir se a campanha foi “certa” ou “errada”, o caso reforça um debate essencial para quem trabalha com comunicação hoje: como usar novas tecnologias sem perder autenticidade, empatia e identidade de marca. Fonte: Meio&Mensagem

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