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A tarde de 1972 em que a TV brasileira ganhou cores

Por Arthur Jobim2 min de leitura
Parede com diversos televisores antigos empilhados, um deles ao centro exibindo as coloridas barras de teste de cor da TV.

A primeira transmissão a cores do Brasil não veio de um grande estúdio: saiu da Festa da Uva, em Caxias do Sul, em fevereiro de 1972. Veja como a cor mudou a TV — e o que ela cobra de quem aparece na tela.

Durante mais de vinte anos, os brasileiros viram televisão em preto e branco. Até que, numa tarde de fevereiro, as cores chegaram à tela — e nada mais foi igual. A primeira transmissão a cores do país não saiu de um grande estúdio do Rio ou de São Paulo: veio de uma festa de cidade do interior gaúcho, e mudou de vez o que significava aparecer na TV.

A festa que pintou a TV brasileira

Foi em 19 de fevereiro de 1972, com a transmissão da Festa da Uva, em Caxias do Sul, no Rio Grande do Sul. As imagens, em cores, rodaram o país com narração de Cid Moreira. Pouco depois, em 31 de março, o Brasil oficializou seu padrão de cor, o PAL-M — um sistema próprio, adaptado à nossa rede elétrica. A tela colorida deixava de ser promessa e virava realidade.

Mais que uma novidade técnica

A cor não foi só um detalhe bonito. Ela cobrava mais de tudo: cenário, figurino, maquiagem, iluminação. O que passava despercebido no cinza agora aparecia — uma gravata espalhafatosa, um tom de pele errado pela luz, um cenário pobre. A televisão precisou se reinventar visualmente, e quem trabalhava diante das câmeras teve de aprender a se apresentar para um meio que, de repente, mostrava tudo.

O que isso ensina sobre estar no ar

A chegada das cores é um bom lembrete de uma verdade que vale até hoje: a tecnologia muda o tempo todo, e quem aparece na tela precisa acompanhar. Do preto e branco às cores, da TV de tubo às câmeras de celular em alta definição e às lives, a régua sobe — mas o fundamento não muda. Câmera boa não salva quem não sabe se portar diante dela.

Dominar a presença de câmera, em qualquer tecnologia, é o que separa quem aparece bem de quem só aparece — e é exatamente isso que se desenvolve no curso de Apresentação de TV e Mídias da Escola de Rádio. As cores chegaram em 1972; saber usá-las a favor da imagem continua sendo trabalho de gente preparada.

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