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Na beira do gramado, um repórter trabalha o jogo inteiro para aparecer trinta segundos

Por Arthur Jobim3 min de leitura
Repórter de campo entrevista um atleta logo após uma prova, segurando o microfone enquanto um cinegrafista grava ao ar livre

Não é o narrador nem o comentarista: é o repórter de campo, a função mais corrida da transmissão esportiva, e uma das melhores portas de entrada para quem quer viver de esporte.

Enquanto o narrador descreve o jogo lá de cima, na cabine, e o comentarista analisa as jogadas, há um terceiro profissional que passa a partida inteira na beira do gramado, faça sol ou caia água, esperando a deixa para falar. É o repórter de campo. Quando o microfone enfim abre para ele, costumam ser trinta, quarenta segundos. Para esses segundos, ele trabalhou o jogo inteiro.

O que ele faz quando não está no ar

A maior parte do trabalho do repórter de campo acontece justamente quando ninguém o ouve. É ele quem descobre a escalação minutos antes de ser oficializada, quem explica por que o técnico fez aquela substituição, quem corre até a beira para saber o estado de um jogador que saiu machucado, quem lê o clima do banco de reservas. Da cabine não dá para enxergar a cara de um jogador de perto. O repórter de campo é os olhos e os ouvidos da transmissão no nível do gramado, e abastece narrador e comentarista com o que eles não teriam como saber sozinhos.

A entrevista mais difícil do jornalismo

Poucas tarefas no jornalismo são tão ingratas quanto enfiar um microfone na frente de um atleta dez segundos depois do apito final. Ele está ofegante, encharcado de suor, e ou eufórico ou arrasado, sem cabeça para pensar. O repórter tem que escolher a pergunta certa na hora, ser rápido, não irritar quem acabou de perder e ainda assim arrancar uma frase que valha a pena ir ao ar. Tudo isso ao vivo, com o país inteiro ouvindo.

Por que é uma das melhores portas de entrada

Boa parte dos narradores e apresentadores esportivos de hoje começou segurando o microfone na beira do campo. A função ensina, na prática, tudo o que a transmissão exige: o ritmo do ao vivo, a objetividade de quem não pode enrolar, o jogo de cintura para lidar com o imprevisto e a calma para falar com a voz firme no meio do caos. É um posto duro, mas é também uma escola.

O que separa o bom repórter do esquecível

No fim, a diferença está em quem consegue ser claro e interessante sob pressão. Faro para achar a informação que ninguém tem, leitura de jogo para saber o que importa, voz que não treme quando tudo ao redor é correria. Nada disso é sorte: é preparo somado a repetição. Esse jogo de cintura na beira do campo é uma das primeiras coisas que se treina no curso de Narração Esportiva da ER+, no Rio, com quem já segurou esse microfone na vida real.

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