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Quanto cobrar por um trabalho de locução

Por Arthur Jobim3 min de leitura
Locutor freelancer concentrado em seu home studio, trabalhando com microfone, notebook e anotações sobre a mesa.

"Quanto você cobra?" é a pergunta que trava todo locutor iniciante. O segredo: não existe tabela fixa, e você não cobra pelo áudio, cobra pelo uso. Entenda como o preço de uma locução se forma de verdade.

O cliente gostou da sua demo. Aí vem a pergunta que trava todo iniciante: "quanto você cobra?". A vontade é responder qualquer número baixo só para fechar, e esse é, de longe, o erro mais comum de quem está começando na locução. Entender como o preço se forma muda tudo.

Não existe tabela fixa (e isso é bom)

A primeira coisa a saber é que não há uma tabela oficial única para locução no Brasil. O que existe são referências de piso, como as publicadas por sindicatos da categoria (os SATEDs), e o preço varia conforme o trabalho. Isso assusta o iniciante, mas é uma vantagem: significa que o valor acompanha o tamanho do job, e não um número engessado.

Você não cobra pelo áudio, cobra pelo uso

Aqui está o conceito que separa amador de profissional: o preço de uma locução não é só o tempo que você levou para gravar trinta segundos. É a gravação somada aos direitos de uso, onde aquele áudio vai rodar, por quanto tempo e em qual alcance. Uma mesma narração vale uma coisa para um vídeo interno de uma loja e outra, bem maior, para um comercial que vai ao ar em rede nacional por um ano. É o chamado direito de veiculação.

O que entra na conta

  • Veiculação. Onde e por quanto tempo o áudio será usado, rádio, TV, internet, interno; uma praça ou o país inteiro; um mês ou um ano. É o que mais pesa no valor.
  • Complexidade. Duração, número de versões, regravações pedidas pelo cliente e exigências de interpretação.
  • Exclusividade. Se o cliente quer que sua voz não apareça para um concorrente, isso se cobra à parte.
  • Seus custos. Equipamento, energia, internet e o tempo de edição também fazem parte, você é o estúdio.

O erro que mais machuca o iniciante

É entregar a locução por um valor único e "esquecer" os direitos de uso. O cliente paga uma vez e roda seu áudio por anos, em todo lugar, sem nunca mais te procurar. Combinar desde o início o prazo e o alcance da veiculação, e cobrar a renovação quando ele passar, é o que transforma um bico em profissão.

Aprender a precificar, negociar e tratar a própria voz como um negócio é tão importante quanto gravar bem, e é parte do que se discute nos cursos de locução da Escola de Rádio. Saber o seu valor já é meio caminho para cobrá-lo: se quiser conhecer as turmas, é só falar com a nossa secretaria no WhatsApp.

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