Quando o carnaval era marginalizado

Em 1976, a polícia invadiu o ensaio da Escola de Samba Estação Primeira de Mangueira. Mestre Cartola protestou contra a repressão ao samba, visto então como bagunça apesar de aquecer a economia carioca.
Quando o rei do samba foi impedido de sambar: em 1976, a polícia invadiu o Ensaio da Escola de Samba Estação Primeira de Mangueira que ocorria na rua Visconde de Niterói, no Rio de Janeiro.
Mestre Cartola, um dos fundadores da agremiação, sentou no asfalto para protestar e lamentar mais uma operação policial contra o Carnaval Carioca.
Na época, apesar da festa já aquecer a economia da cidade, o Samba era considerado pelas forças policiais como bagunça. Antes da construção do Sambódromo, os ensaios e desfiles ocorriam nas ruas do Rio, e a reunião das escolas eram constantemente interrompidas pela Justiça, Polícia e Ministério Público. Uma das principais alegações era que os ensaios e desfiles geravam um ambiente promíscuo e fértil para uso de drogas, sexualização e incentivo ao jogo do bicho.
A imagem emblemática foi capturada por Eurico Dantas e virou símbolo da resistência do samba contra o sistema.
Texto – Joel Paviotti
Fonte: Instagram Circo Voador
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