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Quem decide o som que chega ao ouvinte raramente está no microfone

Por Arthur Jobim3 min de leitura
Operador de áudio de óculos ajustando os controles de uma mesa de som digital iluminada, com monitores de tela ao lado, em um estúdio profissional de baixa luz

O operador de áudio decide o que você escuta em cada rádio, show, podcast e igreja, e é um dos mercados com mais demanda e menos gente preparada da comunicação. Conheça a profissão de bastidor do som.

Meio segundo antes de o jogador chutar, a mão dele já está no controle do microfone de campo, pronta para segurar o estouro do grito sem deixar o som distorcer. Quando dois convidados de um podcast falam ao mesmo tempo, é ele quem equilibra os dois para nenhum sumir. Quando uma banda sobe ao palco, é ele, lá no meio da plateia, que decide o quanto se ouve a voz e o quanto se ouve a guitarra. Esse profissional é o operador de áudio, e quase ninguém pensa nele, até a hora em que o som falha e fica claro que alguém devia estar cuidando dele.

O que ele faz, em termos simples

O operador de áudio capta, equilibra e entrega o som. Na prática, é ajustar o nível de cada microfone, misturar as várias fontes que entram ao mesmo tempo (vozes, trilha, vinhetas, efeitos), cortar o que é ruído e garantir que o conjunto chegue limpo e equilibrado ao ouvinte. Pode ser ao vivo, com decisões tomadas em frações de segundo enquanto o programa acontece, ou na edição, com calma, depois da gravação. Nos dois casos, é a mão dele que separa um som que cansa de um som que dá gosto de ouvir.

Onde ele trabalha

O som amplificado está em muito mais lugares do que parece, e cada um cobra uma habilidade diferente. No rádio e na TV ao vivo, ele tem que reagir na hora ao imprevisto. No estúdio de gravação de música, locução ou podcast, trabalha na precisão, camada por camada. Em shows, festivais e teatro, briga contra a acústica do espaço e o barulho da plateia. Nas igrejas e templos, que hoje montam sistemas de som do tamanho de um show, é quem mantém a palavra inteligível do fundo ao altar. E nas produtoras de vídeo, cinema e publicidade, é quem garante que a mixagem final soe como o cliente imaginou.

O mercado mais escondido da comunicação

É uma das funções com mais demanda e menos gente realmente preparada. Todo lugar que liga um microfone precisa de alguém que saiba o que fazer com aquele som, mas a maioria aprende no improviso, apertando botão sem entender o que cada um faz. Quem domina a mesa, entende ganho, equalização, mixagem, e tem o ouvido treinado para achar o problema antes que ele apareça, vira disputado. E a demanda só cresce com o volume de podcasts, lives e eventos que o país liga todo fim de semana.

Não precisa ser músico para começar

Existe um mito de que operar áudio é coisa para quem é músico ou engenheiro. Mito. O que se exige é conhecer o equipamento e treinar o ouvido, e as duas coisas se aprendem na mesa, com tempo e orientação. É esse o terreno do curso de Produção da Escola de Rádio, que põe o aluno na frente da mesa, dentro de um estúdio em funcionamento, para sair operando em vez de decorando teoria. Quem quiser saber por onde começar pode falar com a gente no WhatsApp. Porque comunicação não é só quem aparece no microfone: é também quem faz a voz que aparece soar como deve.

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