Globo tem a pior audiência da história em jogo do Brasil na Copa — e quem cresceu foi o streaming

Na estreia da Seleção na Copa de 2026, a Globo marcou o menor índice da sua história em jogo do Brasil. O detalhe que ninguém pode ignorar: quem mais cresceu não foi a TV concorrente — foi o YouTube.
A estreia da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 2026 entregou um dado que, faz alguns anos, soaria impossível: a Globo registrou a pior audiência da sua história em um jogo do Brasil em Copa. Foram 30,74 pontos na Grande São Paulo — abaixo do antigo recorde negativo, os 31,5 pontos da disputa de terceiro lugar contra a Holanda, em 2014.
Calma: a Globo não afundou. Em números absolutos ela ainda liderou com folga e até bateu o seu melhor índice do ano com a partida. Mas o símbolo é o que importa aqui. Quando a emissora que reinou sozinha por décadas marca o menor índice de toda a sua história em um jogo da Seleção, alguma coisa mudou no jeito como o brasileiro assiste a futebol. E entender essa mudança é entender o futuro de quem trabalha — ou quer trabalhar — com comunicação.
O primeiro jogo do Brasil sem Galvão Bueno desde 1982
Parte da queda tem nome e sobrenome. Pela primeira vez desde 1982, a Globo transmitiu um jogo da Seleção em Copa sem Galvão Bueno no microfone. Depois de mais de quatro décadas como a voz do futebol brasileiro, Galvão trocou de casa e foi para o SBT, onde narrou ao lado de Tiago Leifert. Na Globo, quem assumiu a narração foi Everaldo Marques.
Esse detalhe diz muito. A audiência não acompanha só o time em campo — ela acompanha a voz que conta a história do jogo. Quando um comunicador com a identidade de Galvão muda de canal, parte do público vai atrás. É a prova mais concreta de que, na comunicação, a pessoa por trás do microfone é um ativo, não um acessório.
A surpresa não veio do SBT nem da Band — veio do YouTube
Aqui está a parte que mais interessa para quem pensa o mercado. A maior ameaça à hegemonia da Globo, nessa estreia, não foi a concorrência tradicional da TV aberta. Foi o streaming.
A CazéTV, transmissão comandada por Casimiro no YouTube, bateu o recorde histórico de público para uma live de futebol na plataforma: pico de 12,7 milhões de pessoas assistindo ao mesmo tempo, de graça. Para se ter ideia do tamanho do salto, o recorde anterior da própria CazéTV era de 6,9 milhões, na final da Copa de 2022. E a CazéTV detém os direitos digitais para transmitir todas as 104 partidas do torneio.
Ou seja: enquanto a disputa parecia ser entre emissoras de TV, quem realmente cresceu foi um canal de internet tocado por um ex-torcedor que começou comentando jogos de casa. A chamada mídia alternativa deixou de ser alternativa.
Audiência de TV e público de streaming são medidos de formas diferentes — pontos de um lado, espectadores simultâneos do outro. Mas a direção do movimento é clara: parte cada vez maior da plateia migrou da sala para a tela do celular.
O porteiro caiu: o que isso muda para quem quer comunicar
Durante muito tempo, falar para milhões de pessoas exigia um crachá. Era preciso passar por uma grande emissora, esperar uma vaga, subir uma escada longa e estreita. Esse portão existia — e ele decidia quem tinha voz e quem não tinha.
Casimiro é o retrato de que esse portão caiu. Ele não esperou autorização de ninguém: pegou um microfone, transmitiu pela internet e construiu uma audiência que hoje rivaliza com a da maior rede do país. O que mudou não foi o talento necessário — foi o caminho até o público. Hoje existem mais portas do que nunca: YouTube, podcast, rádio, TV, streaming esportivo, transmissões independentes.
- Mais canais, mais vagas: cada nova plataforma de transmissão precisa de gente que saiba narrar, comentar, apresentar e dar voz ao conteúdo.
- O diferencial continua humano: a tecnologia distribui o jogo, mas é a personalidade, a voz e o jeito de contar que prendem quem está do outro lado.
- Quem se prepara, larga na frente: a internet abriu as portas, mas continua premiando quem tem técnica de verdade — dicção, presença, ritmo e emoção na medida certa.
A tecnologia muda o palco. O talento continua sendo humano.
É tentador olhar para esse cenário e achar que tudo virou tecnologia: streaming, algoritmo, plataforma. Mas repare no que segurou aquelas 12,7 milhões de pessoas na CazéTV, e o que fez parte do público seguir Galvão de canal. Não foi a tecnologia — foi a pessoa. A internet só amplificou o que sempre foi o coração da comunicação: alguém com voz, carisma e história para contar.
Essa é a boa notícia para quem sonha em viver de comunicação. O mercado não está encolhendo: ele está se multiplicando em novas telas. E todas elas precisam de narradores, locutores, comentaristas e apresentadores preparados. O futuro não é da máquina que fala sozinha — é do comunicador que sabe usar todas essas novas portas a seu favor.
Se a Copa te mostrou que existe espaço para novas vozes no esporte, esse é o momento de transformar a paixão em profissão. Na Escola de Rádio, o curso de narração esportiva ensina a técnica por trás de quem prende a audiência — da respiração ao grito de gol — pronta para a TV, o rádio ou o seu próprio canal. Quer saber como começar? Fale com a gente no WhatsApp.
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