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Edifício A Noite, no Rio de Janeiro, recebe proposta de compra

O Edifício A Noite, no centro do Rio de Janeiro, recebeu uma proposta de compra, que agora será avaliada pela SPU (Secretaria de Coordenação e Governança do Patrimônio da União). Em até 15 dias, o setor do Ministério da Economia vai verificar a conformidade das certidões negativas apresentadas pela pessoa interessada, identificada como Letícia Azevedo. Depois de duas tentativas frustradas de leilão, o primeiro arranha-céu do país foi colocado para venda direta, com 25% de desconto, pelo valor de R$ 28,9 milhões. Se a compradora for considerada apta, a SPU dará sete dias corridos para o pagamento de sinal de 5% do valor do imóvel e depois será assinado o contrato de promessa de compra e venda, dando seguimento ao processo.

Além da importância histórica, o edifício A Noite ocupa um endereço que tem se valorizado com a reforma da zona portuária do Rio de Janeiro. O prédio tem vista indevassável para a Baía de Guanabara e fica bem em frente à Praça Mauá, no ponto em que o Boulevard Olímpico encontra a Avenida Rio Branco, e também tem como vizinhos o Museu de Arte do Rio e o Museu do Amanhã. Por causa da posição estratégica, caso não seja comprado por um ente privado, a própria Prefeitura do Rio de Janeiro cogita adquiri-lo e restaurá-lo. Inaugurado em 1929, com 22 andares e mais de 100 metros de altura, o edifício recebeu o nome de A Noite, em referência ao jornal homônimo que funcionava ali.

A partir de 1936, o imóvel passou a abrigar a recém criada Rádio Nacional do Rio de Janeiro, com seu icônico auditório, que revelou inúmeros talentos da cultura brasileira. A emissora ocupou o edifício por mais de oito décadas, assim como outros setores da Empresa Brasil de Comunicação e do Instituto Nacional de Propriedade Intelectual. Mas a necessidade de reformas obrigou a desocupação do imóvel há cerca de 10 anos e o prédio segue vazio desde então. Em 2013, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) tombou a fachada e alguns elementos arquitetônicos do prédio, como a escadaria em caracol. O comprador terá a obrigação de revitalizar toda a parte tombada mantendo as características originais.


O Edifício A Noite


Quem chega à Praça Mauá se deslumbra com os contrastes arquitetônicos entre o Museu do Amanhã, o MAR (Museu de Arte do Rio) e o Edifício Joseph Gire, mais conhecido como Edifício A Noite. É um museu a céu aberto com todos os estilos arquitetônicos que fizeram história na cidade.

Vista aérea da Praça Mauá. Rio de Janeiro, RJ – Disponível em: https://www.anf.org.br/praca-maua-reabre-neste-domingo-com-festa-e-atividades-gratuitas/

O olhar, entretanto, se fixa no grande edifício da Praça. Construído na década de 1920, entre 1927 e 1929, foi durante algum tempo o prédio mais alto da América Latina, inaugurando o que na época se chamou de “arranha-céu”. São 24 andares em estilo art déco, com forte presença dos princípios construtivos da Escola de Chicago e com um terraço que apresenta um cenário especial da baía da Guanabara.

Imagem aérea da Praça Mauá com o Edifício A Noite em destaque. Autor desconhecido, 1930.  Rio de Janeiro, RJ – Fonte: https://diariodorio.com/histria-do-edifcio-a-noite/

“Era – para quem desembarcava no porto do Rio de Janeiro depois de 1930 – a primeira incontornável referência visual. O grande edifício […] era a prova de que a cidade afamada por sua beleza natural tinha também outras credenciais para apresentar-se como um centro urbano moderno e civilizado.” (Trecho do parecer de Marcos Castrioto Azambuja sobre o tombamento do Edifício Joseph Gire).

Edifício A Noite visto da baía de Guanabara – Autor desconhecido, 2012. Rio de Janeiro, RJ – Wikimedia Commons.

Construído no terreno onde antes funcionava o Liceu Literário Português, o “A Noite” adquiriu seu nome popular, justamente, porque quando foi inaugurado, em 1929, abrigava a sede do Jornal A Noite – periódico fundado em 1911, por Irineu Marinho. O letreiro do jornal, fixado nos andares mais altos do prédio de 22 andares, acabou caracterizando a construção, que foi projetada pelos arquitetos Joseph Gire – que também projetou o Copacabana Palace e o Hotel Glória – e Elisiário Bahiana, em estilo art déco e erguida em concreto armado.

Imagem da fachada com o letreiro do edifício. Autor desconhecido, sd. Rio de Janeiro, RJ – Disponível em: https://diariodorio.com/histria-do-edifcio-a-noite/

O edifício é um marco da arquitetura moderna no Rio. Após sua construção, a cidade passou por um processo de verticalização que mudou sua paisagem. Até a construção do A Noite, os prédios da av. Central – atual Rio Branco – possuíam até, no máximo, oito pavimentos. Era do mirante, no terraço do edifício com mais de 100 metros de altura, que se conseguia uma vista privilegiada da cidade e da baía de Guanabara.

O A Noite também já foi um dos focos da boemia nos anos iniciais do século XX. A partir de 1936, a então recém-inaugurada Rádio Nacional ocupou o edifício. Nomes como Emilinha Borba, Dalva de Oliveira e Cauby Peixoto brilharam nos corredores da Rádio, que ficou ali até 2012.

Fonte: Agência Brasil e Rio Memórias

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