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O segredo de quem entrevista bem é ficar calado na hora certa

Por Arthur Jobim3 min de leitura
Entrevistadora ouvindo com atenção uma convidada durante uma entrevista, com microfone e xícara de café sobre a mesa em um estúdio iluminado

Entrevistar bem tem menos a ver com fazer perguntas espertas do que parece. O preparo, a pergunta aberta, o silêncio que convida e a escuta que transforma um interrogatório em conversa.

O convidado conta o que não tinha planejado contar, relaxa e quase esquece que existe um microfone na frente dele. Quem assiste credita ao acaso, o entrevistado estava inspirado, num bom dia. Quase nunca é acaso. É trabalho de quem conduz, e esse trabalho tem muito menos a ver com fazer perguntas espertas do que a maioria imagina.

O preparo que não aparece

Uma boa entrevista começa muito antes da gravação. O entrevistador estuda quem vai receber: o que a pessoa já fez, o que já disse em outras ocasiões, o que ninguém ainda perguntou. Esse preparo serve para duas coisas. Primeiro, para saber onde estão os assuntos que valem a pena. Segundo, para não desperdiçar o tempo do convidado com o óbvio, com aquilo que ele responde no piloto automático em toda entrevista. Quem chega preparado vai direto ao que interessa, e o outro lado percebe e retribui abrindo mais.

Pergunta aberta abre, pergunta fechada fecha

Existe uma diferença enorme entre você gostou da experiência e como foi essa experiência para você. A primeira pode ser respondida com um gostei e morre ali. A segunda obriga a pessoa a elaborar, a contar uma história. Comece a pergunta com como, por que ou o quê: quem responde precisa contar, não apenas confirmar. O bom entrevistador formula quase tudo de um jeito que não dá para responder em uma palavra.

O silêncio também é uma pergunta

Esse é o recurso mais difícil de praticar: depois que o entrevistado termina de responder, esperar dois ou três segundos antes de seguir. O silêncio incomoda, e o convidado tende a preenchê-lo, e é nesse complemento, no que ele acrescenta só para furar o vazio, que sai a melhor parte. Quem atropela a resposta com a próxima pergunta nunca chega lá.

Escutar de verdade, não esperar a vez de falar

O erro mais comum de quem está começando é, enquanto o outro fala, já estar pensando na próxima pergunta da lista. Aí a conversa vira um interrogatório de perguntas soltas, sem ligação entre uma e outra. O entrevistador experiente faz o contrário: reage ao que acabou de ouvir, puxa um fio que o convidado deixou solto, pergunta sobre aquilo. É essa escuta que transforma uma sequência de perguntas numa conversa, e é ela que faz o entrevistado sentir que está sendo ouvido, não processado.

Uma habilidade que vai muito além do microfone

Apresentadores de TV, podcasters e jornalistas vivem dessa habilidade, mas ela não é só deles. Um médico colhendo a queixa de um paciente, um vendedor entendendo o cliente, um chefe ouvindo a equipe: todo mundo que precisa fazer o outro falar colhe mais quando sabe perguntar e calar. É o que se treina num curso de apresentação e comunicação: a pergunta certa e, mais difícil ainda, o silêncio na hora exata.

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