100 anos do rádio no Brasil por Creso Soares Jr.

Um microfone, uma voz e histórias para construir mundos. O rádio sobreviveu a cem anos de previsões sobre sua morte — generoso, acessível e indispensável como nunca.
O rádio é complexo.
Tão complexo que a gente comemora o centenário três anos depois que ele fez 100 anos.
O rádio é muito simples, uma pessoa, um microfone, histórias para contar e um mundo para construir.
O rádio é resiliente.
Já teve mais gente para decretar a morte do rádio do que para reclamar de um juiz no jogo de futebol. Aliás, futebol que é companheiro fiel do rádio. Uma das frases mais frequentes sobre as transmissões esportivas é que um zero a zero no rádio é muito melhor do que na TV. Claro, o talento dos grandes locutores enfeitiça o talento do mais medonho perna de pau, transformando aquela abóbora em carruagem.
Palmas para os locutores e também para os comunicadores. Eles entram na casa da gente e nos dão conselhos, ensinam a cozinhar, fazem previsões astrais, informam as condições do tempo para você sair vestido adequadamente de casa, sem precisar sentir frio ou calor. Por falar nisso, o rádio traz aconchego. Aquela conversa ao pé do ouvido dos profissionais da madrugada.
O rádio faz companhia a quem está sozinho em casa e toca a música que transporta a gente para as melhores horas das nossas vidas.
O rádio não toma nada de você. Generoso e sem ciúmes, ele permite que você permaneça ao lado dele, mesmo que esteja dirigindo, estudando ou tomando banho. Aliás, quer companhia mais íntima do que aquela que você pode levar para a cabeceira da cama ou deixar apoiado na pia enquanto toma banho? O pai do rádio brasileiro Roquette Pinto dizia que o rádio era o jornal de quem não sabia ler. A atualidade faz com que a gente reformule essa frase. Diante da velocidade frenética de nossos tempos, a gente pode dizer que hoje em dia, o rádio é o jornal de quem não consegue ler.
O rádio renasce de várias formas. O podcast está aí exatamente para mostrar que a linguagem radiofônica é perfeitamente adaptável ao mundo digital das plataformas e das redes sociais.
O rádio é assim, múltiplo, como já disse lá no início, é ao mesmo tempo simples, pois é preciso uma pessoa, um microfone, e do outro lado, alguém ouvindo e um mundo inteiro para construir por meio dos sons, das ondas, dos megabytes.
Perpetuar o rádio de hoje até muito mais do que 100 anos é uma missão para quem ama esse universo.
Texto de Creso Soares Jr / Instagram
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